Caminhoneiros argentinos impediram ontem a passagem de cerca de 200 caminhões pela fronteira de Foz do Iguaçu com a Argentina em protesto a concorrência ''desleal'' no agenciamento de fretes. Somente veículos de passeio e ônibus conseguiram cruzar a Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil a Argentina. O bloqueio, também realizado pelo Sindicato dos Caminhoneiros em outras regiões fronteiriças, deve continuar hoje.

O piquete aconteceu pela manhã próximo à aduana da cidade argentina de Puerto Iguazú. Motoristas estrangeiros foram obrigados a parar no acostamento da única rodovia de acesso para outras regiões do País. O protesto atingiu inclusive quem transportava cargas perecíveis. O bloqueio também interrompeu a viagem de mais de 50 motoristas que estavam na Estação Aduaneira do Interior (Eadi), em Foz, onde são feitos despachos de importação e exportação.

Os organizadores distribuíram panfletos explicando os motivos do manifesto e cobrando do governo federal argentino nova regulamentação do setor, que permita restabelecer a competividade entre os trabalhadores. Uma das propostas é a isenção de impostos.

Conforme sindicalistas, em torno de 8 mil motoristas perderam espaço no mercado nos últimos cinco anos porque estrangeiros descarregam as mercadorias em território nacional e, quando retornam ao país de origem, agenciam o transporte de mercadorias por um preço 60% inferior ao cobrado pela categoria. A medida tem levado empresários a contratar o serviço mais barato, prejudicando a mão-de-obra local.

O sindicato comunicou ainda que de cada 20 caminhoneiros contratados para transporte internacional somente um seria argentino. Os principais acusados de competição desleal são brasileiros e chilenos. Paraguaios, uruguaios, bolivianos também estão na lista de ''intrusos''.

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