Caminhoneiros ameçam iniciar greve no dia 1º de setembro
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 11 (AE) - A direção do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros começou hoje a distribuir panfletos em postos rodoviários de todo o País, convocando a categoria para uma nova greve a partir do dia 1º de setembro. Segundo o presidente da entidade, o mineiro José Natan Emídio Neto, a idéia é mobilizar "centenas de milhares" de motoristas autônomos e pequenos empresários do setor, que possuem até dois caminhões, e interromper, por 15 dias, o transporte de mercadorias em todas as estradas brasileiras.
Diferente do movimento ocorrido no final de julho, porém
os caminhoneiros não bloqueariam rodovias. "Essa estratégia cria antipatia na sociedade, intranquilidade e acaba prejudicando a greve geral que pretendemos fazer", disse Natan. "O que propusemos é que os caompanheiros fiquem por 15 dias em casa, com os caminhões sem carga, ou estacionados dos postos", acrescentou.
A princípio, o sindicato, que tem 1.800 inscritos, imprimiu 30 mil panfletos. "Estamos distribuindo os papéis em postos de Minas e São Paulo, mas recebemos dezenas de telefonemas de colegas de outros estados pedindo que passemos o material por fax, para que tirem cópias", informou.
No panfleto, são listadas 19 reivindicações da categoria
as mesmas que teriam sido negociadas com o governo federal, em julho, em um acordo "não cumprido", segundo o dirigente sindical.
Natan, que assina o documento, destaca algumas delas. "Queremos, entre outras coisas, modificações na tabela de frete baseada no preço do óleo diesel e na cobrança de ICMS sobre transportes, regularização da aposentadoria dos caminhoneiros, cancelamento de multas aplicadas em São Paulo, por causa de fumaça, e construção de locais decentes para a estadia dos caminhoneiros", afirmou.
Natan assegurou que a situação, entre a maioria dos caminhoneiros do País, está "insustentável". "Tem gente querendo parar no dia 20 de agosto e já há postos lotados de colegas, parados, que não estão vendo vantagem em rodar", disse. "Marcando a greve para o dia 1º, temos a esperança de que o governo se sensibilize e nos chame para conversar, antes da paralisação", ressaltou.
Para sindicalista, as autoridades federais não estão tratando da categoria "com o carinho e a seriedade" que ela merece. "Um sem terra, por exemplo, tem uma foice velha nas costas, e só; já os caminhoneiros levam cargas inflamáveis nos tanques e, às vezes, até dinamite", insinuou.


