Curitiba, 11 (AE) - O vice-presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná, Osvaldo Reginato, disse hoje que, se não houver respostas positivas às reivindicações da categoria, os caminhoneiros do noroeste do estado podem iniciar uma nova paralisação na sexta-feira. "Depois de sexta-feira acredito que não seguro mais", disse Reginato, que lidera os caminhoneiros na região.
Segundo ele, muitos motoristas já demonstraram intenção de paralisar novamente as atividades. "Dessa vez as consequências podem ser bem mais sérias", previu. "Os dois lados se organizaram bem."
Reginato disse que torce para que haja uma solução sem necessidade de nova greve, embora não acredite mais no governo. "Ou ele ameaça com a polícia ou negocia coisas que sabe não ter condições de cumprir."
O representante do sindicato no oeste paranaense, Elemar Adams, credita ao líder da União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, o não cumprimento do acordo por parte do governo. "Ele concordou com o aumento do combustível e não disse para ninguém", acusou. "Por isso, esqueça o Botelho. Agora temos uma comissão que representa institucionalmente os caminhoneiros para conduzir o processo."
Segundo ele, a comissão vai negociar os principais interesses da categoria, que são o pedágio, a pesagem e a regulamentação do transporte de carga. "O governo demonstrou boa intenção para negociar, o problema é o Nélio Botelho, que quer aparecer como estrela", criticou. Ele disse que a entidade está recomendando aos caminhoneiros que dêem prazo de 60 dias para as negociações.
"Demos demonstração de força e agora temos de ter maturidade para saber negociar", disse. "Não nos interessa uma crise institucional."
No norte do Paraná também há mobilização dos caminhoneiros. "Estão todos ouriçados que nem abelha", disse o representante do sindicato na região, Murilo Gonçalves. "O pessoal está disposto a parar." Muitos caminhoneiros estão evitando viagens mais longas. Segundo Gonçalves, o sindicato tem recebido manifestações da população favoráveis à paralisação. "O povo em geral está desesperado", analisou.

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