Caminhoneiros ameaçam parar amanhã
Agência Estado
De Curitiba
O vice-presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná, Osvaldo Reginato, disse ontem que se não houver respostas positivas às reivindicações da categoria, os caminhoneiros do Noroeste do Estado podem iniciar uma nova paralisação amanhã. Depois de sexta-feira acredito que não seguro mais, disse Reginato.
Segundo ele, muitos motoristas já demonstraram intenção de paralisar novamente as atividades. Reginato disse que torce para que haja uma solução sem necessidade de nova greve, embora não acredite mais no governo. Ou ele ameaça com a polícia ou negocia coisas que sabe não ter condições de cumprir.
O representante do sindicato no oeste paranaense, Elemar Adams, credita ao líder da União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, o não-cumprimento do acordo por parte do governo. Ele concordou com o aumento do combustível e não disse para ninguém, acusou. Por isso, esqueça o Botelho. Agora temos uma comissão que representa institucionalmente os caminhoneiros para conduzir o processo.
No norte do Paraná também há mobilização dos caminhoneiros. Estão todos ouriçados que nem abelha, disse o representante do sindicato na região, Murilo Gonçalves.
A direção do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros começou ontem a distribuir panfletos em postos rodoviários de todo o País, convocando a categoria para uma nova greve a partir do dia 1º de setembro. Segundo o presidente da entidade, o mineiro José Natan Emídio Neto, a idéia é mobilizar centenas de milhares de motoristas autônomos e pequenos empresários, que possuem até dois caminhões, e interromper, por 15 dias, o transporte em todas as estradas brasileiras.
Diferentemente do ocorrido em julho, os caminhoneiros não bloqueariam rodovias. O que propusemos é que os companheiros fiquem por 15 dias em casa, com os caminhões sem carga, ou estacionados nos postos, acrescentou.
A princípio, o sindicato, que tem 1.800 inscritos, imprimiu 30 mil panfletos. Nele, são listadas 19 reivindicações, as mesmas que teriam sido negociadas com o governo, em julho, em um acordo não cumprido, segundo o dirigente sindical.
Natan assegurou que a situação está insustentável. Já há postos lotados de colegas parados, que não estão vendo vantagem em rodar, disse. Para ele, as autoridades federais não estão tratando da categoria com seriedade. Um sem-terra, por exemplo, tem uma foice velha nas costas, e só; já os caminhoneiros levam cargas inflamáveis nos tanques e, às vezes, até dinamite.





