Emerson Cervi
De Curitiba
Os caminhoneiros prometem bloquear amanhã todas as praças de cobrança de pedágio no Paraná contra o aumento das tarifas anunciado anteontem pelo Governo do Estado. O reajuste médio, segundo a Secretaria de Estado dos Transportes, foi de 112,73% para carros de passeio e de 76,13% para caminhões. Os percentuais são contestados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar) que calcula um aumento médio de 77,64% nas tarifas para caminhões e 114,06% para os carros de passeio.
Conforme a Folha informou ontem, em algumas praças de pedágio o aumento chega a 127,27% (veículos leves) e 109,09% (veículos comerciais).
A manifestação programada pelos caminhoneiros deverá ocorrer sem que nenhuma entidade assuma publicamente sua organização. Isso porque as seis concessionárias de rodovias do Paraná possuem liminares judiciais que estabelecem a cobrança de multas de entidades que prejudicarem ou impedirem o trabalho das empresas. As multas variam de R$ 3,5 mil a R$ 8 mil por hora de obstrução.
Para evitar a responsabilização, o Sindicato dos Transportadores Autônomos (Sindicam) e a Associação Paranaense da União Brasil Caminhoneiro não estão organizando os manifestos, oficialmente. ‘‘Os caminhoneiros ficaram revoltados com esse aumento e dizem que vão fechar todos os pedágios, o Movimento não pode dizer para eles não fazerem isso’’, afirmou o presidente da União Brasil Caminhoneiro no Paraná, André Felisberto.
Para o presidente do Sindicam, Diumar Cunha Bueno, as interdições devem acontecer em todo o Estado. ‘‘O sindicato não tem poderes para fechar nenhuma praça de pedágio, não possuímos frota de caminhões, quem vai fazer o manifesto são os próprios caminhoneiros’’, afirmou, se eximindo de qualquer responsabilidade futura.
A frota de veículos para transporte de cargas no Paraná gira em torno de 130 mil caminhões. A previsão é que em todas as regiões ocorram manifestação a partir das 7 horas de amanhã. Essa decisão foi tomada em assembléia realizada em Ponta Grossa. Cerca de 400 transportadores autônomos participaram da reunião.
A assembléia definiu que a passagem será liberada apenas para cargas perecíveis, remédios, ônibus de passageiros e automóveis. Ainda assim, eles pretendem abrir as cancelas e liberar a passagem pelas praças de pedágio sem o pagamento da tarifa.
Como nenhuma entidade está se responsabilizando pelo ato, não há um horário determinado para o fim da interdição, nem a garantia de que todas as 26 praças serão interditadas.
Depois das invasões promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e dos próprios caminhoneiros, em 1998, as concessionárias de rodovias começaram a recorrer à Justiça para evitar novas manifestações como essas. O argumento delas é que as rodovias são bens públicos, as empresas têm que zelar pela conservação desse patrimônio e que por isso precisam ter garantias de ressarcimento, quando houver depredação ou em caso de interrupção dos trabalhos.
Felisberto garante que não haverá destruição das praças de pedágio. ‘‘O caminhoneiro é um trabalhador ordeiro, que está tentando fazer o governo entender que neses valores fica impossível ele continuar trabalhando’’, afirmou.
A assessoria do governo informou ontem que o reajuste da tarifa média para os automóveis passou de R$ 1,85 para R$ 3,94 em cada trecho de 100 quilômetros, e não para R$ 4,29 como informou a Folha. No caso dos caminhões, o pedágio passou de R$ 2,11 para R$ 3,26.Apesar de nenhuma entidade assumir autoria, manifestações de protesto contra aumento das tarifas devem ocorrer em todo o Estado
Arquivo FolhaPROTESTOCategoria não aceita aumento médio de 77,64%, conforme cálculo do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas