Caminhoneiros ameaçam fazer greve contra aumento de pedágio
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terça-feira, 25 de janeiro de 2000
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 25 (AE) - Os caminhoneiros do Rio Grande do Sul estão ameaçando entrar em greve contra o aumento de 33,4% na tarifa de pedágio das rodovias estaduais, administradas por concessionárias. "O caminhoneiro é uma bomba-relógio e ela vai explodir nas concessionárias", disse hoje o presidente da Federação dos Taxistas e Transportadores Autônomos e de Passageiros/RS (Fecavergs), Mariano Costa.
O reajuste entrou em vigor hoje. E o governo estadual encaminhou ação cautelar à 7ª Vara da Fazenda Pública, na capital gaúcha, pedindo sua suspensão. Outra providência anunciada pelo secretário Estadual dos Transportes/RS, Beto Albuquerque, foi a qualificação de 30 estradas paralelas aos postos de pedágio para que possam absorver parte do tráfego que fugiria da tarifa.
A Fecavergs, que reune 28 sindicatos, e a Federação de Caminhoneiros (Fecam), que congrega seis sindicatos do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, prometem fazer assembléias e, possivelmente, "parar as estradas" caso a Justiça não resolva o assunto de forma que os transportadores sejam poupados do encargo. Calcula-se que a categoria tenha 120 mil trabalhadores no Estado.
"Não aguentamos mais", afirmou Costa, para quem os contratos firmados pelo governo estadual e as concessionárias, na administração anterior, de Antonio Britto (PMDB), foram "entre amigos". O acordo permite revisões anuais das tarifas. Com o aumento, por exemplo, um caminhão de seis eixos passou a pagar R$ 60,00 para trafegar nos 291 quilômetros que separam Carazinho, no Planalto Médio, de Porto Alegre. Antes, cruzando três praças de pedágio, pagava R$ 45,00. A Federação das Empresas de Transporte de Carga/RS (Fetransul), que reúne os empresários e inicialmente mostrou-se favorável aos pedágios, também manifestou-se contra a cobrança.
A Associação Gaúcha de Concessionárias de Rodovias (AGCR) queixa-se de que, desde 1996, não recebeu aumento das tarifas. Em anúncio publicado nos jornais de Porto Alegre, a associação dos concessionários trata o reajuste como "imprescindível" para o prosseguimento do seu programa de melhoramento das rodovias. Apela "pelo diálogo e o entendimento" com o governo estadual e os transportadores, enfatiza que o aumento "decorre de cláusula contratual expressa" e interpreta as dificuldades dos caminhoneiros não como oriundas do valor dos pedágios mas de outros fatores, como o "baixo valor dos fretes".


