O caminhoneiro Antônio Pereira de Oliveira, 34 anos, casado, dois filhos, morador do jardim Olímpico (zona oeste de Londrina), precisou da ajuda dos atendentes do Programa de Controle de Hanseníase da 17ª Regional de Saúde para ser internado no Hospital Universitário (HU). Hanseniano, ele passou parte da manhã aguardando o encaminhamento. Numa cadeira de rodas, segurava a perna esquerda, cheia de lesões, tentando controlar a dor. ‘‘Preciso ser internado. Não aguento mais.’’
Oliveira disse que passou cinco meses em tratamento no HU por causa da ferida na perna esquerda. Relatou que foi internado duas vezes, permanecendo seis dias no hospital. ‘‘Eles faziam curativo, mexiam na ferida, que ficava cada vez maior. Hoje ela tomou toda a batata da perna’’, contou. No HU, segundo ele, foi feito exame de sangue. O bacilo de Hansen é encontrado na linfa (líquido incolor que circula no organismo em vasos próprios).
Conforme Oliveira, a doença só foi diagnosticada 30 dias atrás, quando ao procurar o Hospital de Clínicas, ele foi encaminhado à 17ª Regional de Saúde. ‘‘Se tivessem diagnosticado antes, minha perna não estaria nessas condições.’’
Sem poder trabalhar, Antonio de Oliveira diz que sua família não está passando fome porque recebe a ajuda dos familiares. Ele acredita que tenha adquirido o bacilo há mais de 10 anos.
A médica do Programa de Controle de Hanseníase, Ana Maria Cavalheiro Teodoro, informa que há casos em que o diagnóstico é mais difícil, principalmente quando a doença se assemelha a outras patologias. ‘‘Há casos de pacientes que têm outras dermatites associadas, ulcerações ou outros comprometimentos. Isso além de formas mais raras, com comprometimentos neurológicos.’’
Segundo Ana Teodoro, a 17ª Regional de Saúde registra uma média de 200 novos casos por ano. Em cerca de 35% deles, os pacientes apresentam deformidades quando diagnosticada a doença.
Procurado pela Folha, o diretor superintendente do HU, Cláudio Camacho, informou que, de acordo com o prontuário do paciente, Oliveira foi atendido em fevereiro com uma úlcera infectada na perna, que foi tratada através de medicação. Camacho afirmou que o paciente retornou em abril, quando foi feito exame que diagnosticou a doença. ‘‘Ele foi então encaminhado para o Centro Regional de Especialidades (CRE).’’
(Luka Morais)

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