"Caminhonaço" de produtores gaúchos já está em Ivaiporã
Por Sérgio Bueno
Porto Alegre, 13 (AE) - O "caminhonaço" dos produtores rurais da região Sul, que deve chegar segunda-feira em Brasília para pressionar pela aprovação do projeto de refinanciamento das dívidas do setor, chgeou no começo da tarde em Ivaiporã (PR), a 166 quilômetros de Londrina. O comboio dobrou de tamanho desde que partiu de Erechim (RS), ontem (12) pela manhã, e já reúne cerca de 400 caminhões e caminhonetes, informou por telefone o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que acompanha o grupo, João Carlos Machado.
A caravana que integra o movimento nacional "Acordo Rural" já percorreu mais de 650 quilômetros e deve chegar no final da tarde de hoje a Londrina, onde haverá uma manifestação no Parque de Exposições Ney Braga. Os organizadores esperam a adesão de novos produtores no local, ampliando o comboio para mais de 500 veículos a partir de amanhã, quando serão percorridos mais 409 quilômetros até São José do Rio Preto (SP). O almoço será em Presidente Prudente, também em São Paulo, onde está programado um novo ato público.
Intransigente - O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio de Salvo, classificou hoje de "intransigente" a posição do governo federal, que não aceita os termos da renegociação das dívidas do setor aprovadas pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Para ele, a contraproposta do governo que apenas amplia prazos, reduz juros e prorroga a parcela vencida da securitização com bônus de 10% para os adimplentes "carece de seriedade". O assunto, na opinião do dirigente, está sendo tratado de forma superficial e não toca na questão central que é a recuperação da renda dos produtores.
"Não adianta o governo teimar em receber de quem não tem condições de pagar; isto é uma ilusão", afirmou. Segundo ele, o setor precisa recuperar sua rentabilidade para honrar seus compromissos e investir no aumento da produção de alimentos. O impasse entre produtores rurais e governo aumentou depois que o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse que o projeto aprovado na comissão da Câmara suspenderia o fluxo de financiamento para a safra e provocaria um rombo de R$ 18 bilhões no Tesouro em 20 anos. A proposta, que deverá ser votada em plenário na próxima semana, dá 20 anos de prazo para o pagamento dos débitos totais de R$ 24 bilhões, quatro de carência, juros fixos de 3% ao ano e desconto de 40% sobre o principal.
Para Antônio de Salvo, a situação está servindo para fortalecer o movimento "Acordo Rural". "Na medida em que a injustiça cresce mais gente percebe que é preciso uma grande manifestação", comentou. Ele não acredita que os comboios que chegarão de vários Estados serão impedidos de entrar em Brasília. "Seria um erro estratégico, pois a cidade foi concebida para permitir a manifestação ordeira de todos os segmentos da sociedade", afirmou. Uma medida como esta, além disso, seria "inócua", entende o dirigente, pois "quem saiu de Erechim ou outra cidade qualquer estacionaria o caminhão e entraria em Brasília de qualquer maneira".





