Caminho para santificação é longo
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sábado, 17 de maio de 1997
Agência Estado 
O santificadorPapa João Paulo II, que vem ao Brasil em outubro, é recordista em canonizações: ele já elevou 273 pessoas à condição de santos e tem em suas mãos 25 novos processosA beatificação consiste no reconhecimento oficial, pelo Vaticano, das virtudes e milagres de um fiel ou sacerdote católico. A partir daí, o beato pode ser cultuado nos lugares onde viveu e fez boas obras. Caso sejam comprovados os milagres a ele atribuídos, o beato é canonizado e pode ser cultuado como santo em qualquer parte do mundo.
Mas o caminho é longo. Primeiro, é preciso que a diocese local faça um julgamento de alguém que tenha tido uma vida religiosa exemplar. Esse processo só pode ser aberto cinco anos depois da morte desse religioso. São ouvidas pessoas que tenham convivido com ele, e tudo o que é apurado passa pelo crivo do Tribunal Diocesano. Se o trabalho do Tribunal for reconhecido pela Congregação para a Causa dos Santos, o candidato recebe o título de servo de Deus.
As etapas seguintes ocorrem no Vaticano. Se for comprovado um milagre atribuído ao religioso, ele ganha o título de beato e pode ser venerado apenas no país onde viveu. Para a canonização, que permite a veneração em qualquer parte do mundo, é preciso que se comprovem dois milagres. Neste caso, madre Paulina, nascida Amabile Visintainer, em Trento, Itália, estaria mais próxima da canonização, pois já teria sido comprovado um segundo milagre a ela atribuído.
Ela é personagem de um vídeo divulgado em todo o País e também na Itália - Madre Paulina, Súdita de Deus - e de um livro do seminarista Edinei da Rosa Cândido. O livro conta a história de seu mais famoso milagre, ocorrido em 1966 com uma tia do autor - Eluiza Rosa de Souza, em Imbituba (SC). De acordo com a narrativa, naquele ano, Eluiza teve sérias complicações na gestação de seu sétimo filho. O bebê morreu ainda no útero e ali permaneceu por um mês.
Quando ela procurou atendimento médico, estava com infecção generalizada e, pouco depois, entrou em coma profundo. A família chegou a providenciar o enterro quando as irmãs do convento de Imbituba, junto com a família do paciente, passaram a rogar à madre Paulina pela recuperação de Eluiza. Sobre seu corpo, as freiras colocaram uma relíquia da madre e, no dia seguinte, Eluiza acordou completamente curada, segundo depoimentos escritos no livro.
Médicos e cientistas do Brasil e do exterior não conseguiram explicar a cura, até hoje. Eluiza, hoje com 52 anos, voltou a trabalhar como telefonista da Receita Federal em Imbituba.


