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fotos: João Mario Goes
O professor Jeferson Soares Gonçalves, define o aikidô como a arte da paz: ''O objetivo é o aperfeiçoamento da pessoa como um todo. Quando há harmonia entre corpo e mente não há doença''

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O aikidô é o aproveitamento da força de quem ataca para contra-atacar: forma de defesa pessoal pelo domínio do agressor sem uso de força bruta









Com o mestrado por finalizar, tudo o que a estudante Sharon Cristine Ferreira de Souza, de 25 anos, queria era ''não perder tempo'' - nem para praticar atividade física. Mas, com o aikidô - arte marcial japonesa -, ela descobriu que podia ganhar... em concentração, no alívio de dores nas costas, e até no tempo mesmo, já que o descanso é fundamental para um melhor rendimento nos estudos. O caso de Sharon é específico, mas mostra o quanto essa luta pode trazer de benefícios para a saúde do corpo e da mente.

O significado do termo já dá uma pista do que esperar. ''Ai'' remete a harmonia, ''ki'', a energia, vibração ou essência da vida, e ''do'', a caminho. Daí que aikidô pode ser definido como o caminho para a harmonização da energia. Ou, como a ''arte da paz'', nas palavras do professor Jeferson Soares Gonçalves, também shitsu terapeuta, de Londrina. ''Para mim, não há tradução melhor'', afirma.

O diferencial dessa arte marcial, segundo o professor, é a não competitividade, o que faz dela um ''não esporte'', mas nem por isso uma atividade menos vigorosa, que com o tempo deixa o corpo mais forte, alongado e saudável e a postura mais ereta. ''O objetivo é o aperfeiçoamento da pessoa como um todo. Quando há harmonia entre corpo e mente não há doença'', diz.

Todos os movimentos - circulares - tem por base o centro do corpo, na região do abdome. Por isso, a área tem que estar fortalecida, o que se consegue com os próprios movimentos e a respiração, fundamental nessa arte.

A respiração, segundo Gonçalves, melhora a percepção do corpo, que se une à mente e aos sentimentos. O método de respiração utilizado pelo aikidô, segundo ele, é o chamado ''Sokushin Kokyu ho'', que ''utiliza'' as energias da terra e do céu, que ''entram'' pela sola dos pés e pela cabeça, ao inspirar, e se ''encontram'' no abdome.

Além do autoconhecimento, a prática desse tipo de respiração, aponta Gonçalves, também ajuda a desenvolver uma sensibilidade mais aguçada, que os orientais chamam de ki. ''Exemplo dessa sensibilidade é aquela que o músico tem para perceber a música ou aquela que as pessoas tem para perceber um ambiente 'carregado'. Com o treinamento, há uma melhora significativa do aspecto emocional, de fatores como medo e insegurança'', atesta.

Outra característica do aikidô é o ''aproveitamento'' da força de quem ataca para contra-atacar, o que torna a luta uma ótima forma de defesa pessoal, principalmente para mulheres, já que é possível dominar o agressor sem o uso de força bruta. ''Quando alguém ataca, a força do adversário é utilizada contra ele mesmo'', ressalta Gonçalves.

Assim como a água, que, se fica parada, estraga, outro dos princípios do aikidô, segundo Gonçalves, é o do eterno principiante, que está sempre treinando, aprendendo e melhorando. ''O aperfeiçoamento é constante, por isso há mestres a seguir''', afirma. A prática pode ser iniciada a partir dos quatro anos de idade, sem limite para parar.

Serviço: (43) 9998-8959

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