Curitiba - Laudo da Polícia Científica do Paraná, referente ao acidente ocorrido em 3 de julho na BR-277, concluiu que o caminhão-tanque trafegava com o dobro da velocidade permitida para aquele trecho da rodovia. O veículo, carregado com 44 mil litros de álcool anidro, seguia sentido Paranaguá, quando tombou e explodiu no quilômetro 33, perto de Morretes, atingindo 14 veículos e provocando a morte de seis pessoas, cinco delas no local.
De acordo com o relatório, divulgado ontem, o caminhão estava entre 116 km/h e 132 km/h, em local cuja velocidade máxima indicava 60 km/h. Estudo concluiu que após a descida de cerca de 26 km de serra, cujo desnível é de aproximadamente 800 metros, já com o sistema de freios sobrecarregado, o caminhão trafegava em velocidade acima do permitido. Com 52 páginas e ilustrado com 77 imagens digitais, o documento foi redigido pelo perito criminal Lawrence Ferreira Cordeiro.
"Realizando os devidos cálculos, obteve-se o valor para a velocidade média de 34,33 m/s, equivalentes a 123,60 km/h. Admitindo-se a variação de 0,1 s (décimo do segundo) para mais ou para menos, com o intuito de se ampliar a margem de erro e reduzir a incerteza em função da curta distância e da suposta alta velocidade, esta variação refletiu em uma velocidade média compreendida entre 116 km/h e 132 km/h", aponta o relatório.

SINALIZADO
A perícia também identificou a presença de diversas placas regulamentadoras de velocidade no trecho da serra. Havia, por exemplo, uma placa de velocidade instalada no km 35,7 da referida BR, aproximadamente 1,7 km antes do local do acidente e no sentido de fluxo em que trafegava o caminhão, a qual definia a velocidade de 80 km/h para veículos leves e de 60 km/h para veículos pesados.
De acordo com o delegado de Morretes, Antonio César Pereira dos Santos, o motorista do caminhão está à disposição da Justiça, em liberdade provisória mediante pagamento de fiança e com recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O delegado aguarda resposta de uma carta precatória enviada para a empresa para a qual ele trabalhava, em Santa Catarina, para concluir os procedimentos necessários no inquérito policial que apura responsabilidades.

mockup