Agência Estado
De Brasília
Agentes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, que estão na fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis, Minas Gerais, para impedir a invasão da sede pelos assentados acampados em frente à propriedade, pediram reforço de Brasília. A decisão foi tomada depois que um grupo de assentados saqueou, na manhã de ontem, um caminhão que saía da fazenda com um carregamento de adubo e soja. A Polícia Militar de Minas Gerais se deslocou até a área com cães treinados. O comandante da PM, tenente-coronel José Carlos de Souza, admitiu que é tenso o clima em frente à fazenda.
O administrador da fazenda, Wander Gontijo, disse que o carregamento de adubo e soja, saqueado ontem, está avaliado em R$ 3 mil. ‘‘Eles estão roubando de mim e não do presidente’’, afirmou Gontijo, explicando que o material era destinado a uma fazenda de sua propriedade na área de Serra Bonita, próximo a Buritis. Às 5 horas de ontem mais 70 assentados chegaram ao acampamento. Houve um princípio de conflito com a PM que tentou evitar a aproximação do novo grupo de manifestantes.
O ministro da Justiça, José Carlos Dias, classificou como crime contra o patrimônio o saque promovido ontem pelo MST. Segundo ele, é competência da Polícia Militar de Minas Gerais investigar o caso. O ministro disse que já enviou agentes federais para proteger a casa de Fernando Henrique.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, condenou ação dos sem-terra, acampados na frente da fazenda desde terça-feira. O ministro da Justiça e o presidente do STF participaram ontem de debate sobre violência promovido pela Câmara. José Carlos Dias disse que não havia recebido a informação oficial sobre o saque ao caminhão promovido pelos acampados em frente à fazenda para pressionar o governo a liberar recursos destinados à compra de adubo e sementes para o plantio da safra. ‘‘Saquear é crime contra o patrimônio’’, disse José Carlos Dias. ‘‘Se houve isso, a polícia mineira vai investigar’’.
Paraguai A associação de produtores rurais do Paraguai solicitou ao presidente Luis González Macchi a proteção de suas propriedades, invadidas por grupos de sem-terra.
No último fim de semana, um grupo de cerca de mil sem-terra invadiu a fazenda Nueva Esperanza, de 33 mil hectares, localizada no departamento de San Pedro, a cerca de 300 quilômetros ao norte de Assunção. A fazenda é de propriedade de um grupo de empresários brasileiros encabeçado por Evaldo Emilio Araújo.
No domingo, a polícia chegou para desalojar os invasores, que responderam disparando armas de fogo e atacando os agentes com paus e pedras. Depois de três horas de conflito, os sem-terra foram expulsos da área. Segundo a imprensa local, pelo menos um invasor foi morto e dezenas ficaram feridos.
Ontem, o bispo Mario Medina, da diocese de Misiones, no centro do Paraguai, criticou a má distribuição de terras no país, já que, segundo ele, 1% da população possui 70% das propriedades.

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