São Paulo, 04 (AE) - A Camil Alimentos S/A - segunda maior beneficiadora de arroz do País - fechou negócio com a argentina Molinos. Desde o princípio do mês, a Camil distribui, em toda região Centro-Sul do País, os produtos da marca Cocinero. A nova parceria vai render à empresa um incremento de pelo menos 10% na receita deste ano.
Entre as maiores empresas do ramo alimentício na Argentina, com faturamento estimado em US$ 1,3 bilhão, a Molinos é líder mundial em óleo de girassol, responsável por 55% no segmento no mercado argentino e campeã em vendas no Brasil, com uma fatia de 37% deste mercado.
Presente em 50 países, a Molinos, além do óleo de girassol, produz ainda maionese de girassol, catchup, óleo de milho, mostarda e azeite de oliva.
A marca argentina chegou no Brasil em 1955, através de acordo com a Santista do Brasil, ambas pertencentes ao grupo Bunge. Com a venda da Molinos, no ano passado, à holding Perez Companc (uma das mais poderosas da Argentina), a Cocinero dá início à nova parceria comercial com a Camil e na região Norte Nordeste com a EBD.
O novo negócio vai gerar um aumento de 10% na receita bruta da empresa projetada em R$ 348 milhões antes de selar acordo com a argentina. "A projeção para este ano era crescer 20% no faturamento e 30% no volume", afirma Jacques M. Quartiero, diretor da Camil.
No ano passado, a Camil obteve uma receita bruta da ordem de R$ 298 milhões, sendo que 70% proveniente de arroz e os outros 30% referente a feijão, óleo e da linha de risoto. No início de janeiro, investiu R$ 24 milhões nas quatro unidades que possui em Itaqui, no Rio Grande do Sul. Para a área de marketing e vendas serão destinados R$ 12 milhões e o restante empregado na modernização e ampliação do parque industrial.
"A empresa está se preparando para dobrar seu participação no mercado de arroz no ano 2000", afirma o diretor Jacques M. Quartiero. Hoje a Camil detém uma fatia de 6%, perdendo apenas para a Josapar, do Arroz Tio João, dona de 12% do segmento. "Estamos dispostos a crescer também através de novas aquisições", acrescenta.
Quartiero guarda a sete chaves o nome das empresas que a Camil já está de olho. Com 50% de capital nacional e a outra metade vendida em dezembro último para investidores americanos da Trust Company of West (TCW -Laep), a Camil está disposta a fincar pé neste mercado e já tem planos de atuar em outros nichos num futuro próximo.
A companhia americana está disponibilizando US$ 300 milhões do fundo TCW-Laep de private equity para ser aplicado na América Latina. "A maior parte deste montante está sendo direcionado ao Brasil", afirma. Os investimentos no Brasil, explica Quartiero, são feitos através do fundo, voltado para aquisição de empresas ou participação acionária com desembolso de até 10 anos.

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