Brasília, 5 (AE) - A Câmara de Comércio Exterior (Camex) vai realizar no final deste mês uma reunião com os 12 maiores bancos que atuam em comércio exterior, na tentativa de diversificar as fontes atuais de financiamento às exportações, centradas basicamente em operações de ACC (Adiantamento sobre Contratos de Câmbio) e ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues), segundo o secretário-executivo da Camex, Emílio Garófalo. A articulação com os bancos privados está sendo conduzida pelo presidente do Forex Club Brasileiro, Carlos Eduardo Sobral, diretor do banco árabe Schaim Curi, e a reunião só ainda não ocorreu por que a maioria dos executivos da área financeira encontra-se em férias.
Garófalo explica que a idéia é encontrar outras fontes de financiamento para que, em épocas de crises como as que aconteceram ultimamente, o exportador não se veja sem acesso ao crédito, na medida em que as operações de ACC e ACE são feitas com recursos externos. Segundo ele, a Camex não tem um proposta pronta e a intenção é de colher sugestões junto aos representantes desses 12 bancos, entre os quais estão o Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Citibank, por exemplo. Adianta, contudo
que uma alternativa poderá ser a securitização de recebíveis de exportações, na qual os créditos de operações já realizadas ou a realizar seriam transformados em cambiais comercializadas no mercado secundário de títulos, tanto no País como no exterior. "Precisamos achar outros mecanismos de financiamento, principalmente para enfrentar períodos de crise, quando o crédito externo some", observa.
A estratégia da Camex faz parte das ações que serão desenvolvidas para alcançar os resultados previstos no Programa Especial de Exportações (PEE).
Neste programa, através de uma atuação na cadeia produtiva de 58 setores da economia com tradição ou potencial exportável, o governo expera dobrar ou pelo menos ficar perto de US$ 100 bilhões em 2002. O superintendente-executivo do Banco do Brasil, Delmar Schimdt - instituição que tradicionalmente sustenta o crédito aos exportadores quando o dinheiro externo escasseia - apóia a idéia da Camex de diversificar as fontes de financiamento. Ressalta, contudo, que as operações de ACC e ACE, cujos prazos máximos são de 180 dias, não devem ser desestimuladas por duas razões: são simples e beneficiam especialmente os pequenos e médios empresários no curto prazo.
Delmar Schimdt lembra que nos anos de 1982/83 o Banco do Brasil já realizou operações de securitização de recebíveis e criou mecanismos para estimular outras instituições a fazerem o mesmo. "O objetivo, na época, era estabelecer um fluxo que permitisse a geração imediata de divisas para saldar outros compromissos do país", afirma. Segundo ele, a preocupação da Camex agora é mais ampla, na medida em que busca um anteparao para enfrentar a escassez de recursos externos. Lembra, contudo, que qualquer operação que dependa de "funding" externo está diretamente ligada a recuperação da credibilidade do País no mercado internacional.
O gerente do Banco do Brasil assegura, de qualquer forma
que o fluxo de recursos estrangeiros destinados as exportações já começou a se normalizar desde a semana passada, sendo que a média diária de operações de ACC e ACE, conforme informações do mercado, já está entre US$ 140 milhões a US$ 150 milhões, o que está inserido na média histórica registrada nos meses de janeiro e fevereiro. Segundo ele, no mês passado as operações de ACC e ACE do Banco do Brasil totalizaram US$ 243 milhões, o que representou 25% do volume total de contratos fechados pelos exportadores nas duas modalidades. Somente nesta terça-feira ele disse que foram contabilizados US$ 72 milhões em contratos de ACC e ACE, "quase três vezes a média diária de janeiro", afirma.

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