Camex quer aumentar alternativas de crédito a exportador
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 22 (AE) - O principal entrave ao aumento das exportações brasileiras atualmente é o acesso ao crédito, na avaliação do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves. Para sanar esta dificuldade ele disse que irá se reunir nos próximos dias com dirigentes do BNDES, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Agência de Promoção de Exportações (APEX) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae). "É preciso oferecer alternativas de crédito mais adequadas à capacidade de garantia dos empresários e aos tipos de produtos", observa.
Botafogo disse que a idéia é discutir com os dirigentes desses bancos a adoção de mecanismos que permitam a redução do custo dos financiamentos para que as empresas possam ter acesso ao crédito. Os bancos oficiais, pelo papel que exercem, devem ter condições de reduzir suas comissões, por exemplo, afirma. Uma outra idéia é ampliar a cobertura do Fundo de Aval do Sebrae nos empréstimos tomados pelas empresas e que se destinam à exportação. Atualmente, o Fundo dá garantia de até 50% do valor dos empréstimos, cujo limite máximo é de R$ 72 mil.
A Camex, segundo Botafogo, também quer encontrar uma solução para o chamado Fundo de Garantia para a Promoção da Competitividade (FGPC), mais conhecido como Fundo de Aval. Criado no início do ano passado, com lastro em R$ 300 milhões provenientes de contas correntes e cadernetas de poupança que não foram recadastradas no Banco Central até o final de 1994, o fundo, gerido pelo BNDES, realizou pouquíssimas operações. O Fundo de Aval tem como função cobrir até 70% do valor dos empréstimos destinados à exportação por pequenas e médias empresas, mas não funciona porque os bancos privados não se interessam em intemediar as operações com o setor privado devido à baixa remuneração que recebem do BNDES. "O Fundo de Aval não funciona porque é pouco rentável", diz Botafogo.
Além de facilitar o acesso ao crédito para pequenos e médios empresários junto aos bancos oficiais, a Camex também pretende atuar na diversificação das fontes de financiamentos para o comércio exterior.
Segundo o secretário-executivo do Câmara, nos próximos dias também deverá ser realizada uma reunião com os dirigentes de bancos privados que financiam os exportadores para discutir novas modalidades de empréstimos. O maior problema hoje é que o crédito à exportação está limitado às operações de ACC (Adiantamento sobre Contratos de Câmbio) e ACEE (Adiantamento sobre Cambias Entregues) destinados à fase de pré-embarque de mercadorias destinadas à exportação.
As operações de ACC e ACE são feitas com base em recursos externos e toda vez que há uma crise financeira internacional os exportadores brasileiros ficam sem acesso ao financiamento. Uma das alternativas, que começou a ser discutida ainda quando José Roberto Mendonça de Barros estava à frente da Camex, e que deve ser estimulada, segundo Botafogo, é a securitização de créditos provenientes de exportações. Esses créditos seriam transformados em títulos e negociados no mercado de capitais tanto no Brasil como no exterior, gerando mais recursos.


