Londrina - O adolescente de 14 anos que havia sido apreendido na tarde de quarta-feira por tráfico de drogas no Colégio Estadual Ubedulha Correia de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte de Londrina), foi liberado do Centro de Socioeducação (Cense) ontem. A promotoria da Vara da Infância e da Juventude de Londrina determinou que ele cumpra quatro meses de serviços comunitários.
O caso ganhou repercussão nacional depois que uma câmera instalada no banheiro do colégio flagrou uma jovem de 14 anos com uma pequena porção de cocaína escondida junto com a bateria do celular. A menina também foi apreendida por porte de droga, mas liberada logo em seguida.
De acordo com o promotor da Vara da Infância e Juventude, Márcio Luiz Bergantini, o adolescente liberado ontem disse que achou a droga a caminho da escola e depois a entregou à colega, que foi flagrada pela câmera. Ainda conforme o promotor, esse foi o primeiro ato infracional cometido pelo adolescente.
''Ele ficou surpreso quando soube que havia cometido tráfico'', afirmou. De acordo com ele, o adolescente vai cumprir uma vez por semana 4 horas de serviço comunitário nos próximos 4 meses. ''Tráfico é o maior problema que temos. É motivador de outras infrações, como o roubo para comprar droga'', informou.
A chefe do Núcleo Regional de Ensino, Lúcia Cortez, comentou que ''de vez em quando aparecem'' casos de tráfico próximo a escolas. ''Temos encontrado. Às vezes o próprio aluno faz denúncia'', revelou.
No caso de quarta-feira no Colégio Ubedulha foi uma estudante que denunciou a colega com droga no banheiro. Em seguida o diretor puxou a gravação da câmera para confirmar a suspeita. Ao ser confrontada, no início a adolescente negou, mas pouco depois confessou e entregou a droga.
Ao confirmar a suspeita, o diretor Adão Cícero Ferreira Nunes chamou a polícia. ''Esse era um caso de polícia. Não dava para resolver internamente'', comentou. Conforme Nunes, essa não é a primeira vez que droga é apreendida dentro do colégio. ''No ano passado achamos maconha, mas uma droga mais pesada como cocaína é a primeira vez'', afirmou.
Ainda segundo o diretor é comum que adolescentes de fora invadam a escola para fumar maconha. ''Quando a gente chega perto ou eles percebem que estou olhando eles fogem.''
Nunes é diretor do colégio há 9 anos. São 1,6 mil alunos, 550 no período da tarde, que abrange apenas estudantes do 6º ao 8º ano. Há 36 câmeras espalhadas pelo colégio. Além disso, todas as salas da escola têm fechaduras especiais que não permitem abrir a porta por fora. ''Evita furtos e vandalismo'', comentou o diretor.
O colégio também possui catraca eletrônica. Fora as medidas de segurança, que lembram até uma prisão, o colégio possui internet wireless. A reportagem não conseguiu contato com comando da Patrulha Escolar ontem.

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