Camelôs vão continuar no Viaduto Santa Ifigênia até dia 27
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terça-feira, 16 de março de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 17 (AE) - Os ambulantes que trabalham no Viaduto Santa Ifigênia, no centro, deveriam ter desocupado a região sábado, mas devem continuar trabalhando ali até o dia 27. Na semana passada, um grupo de camelôs foi ao bolsão da General Carneiro e não gostou do que viu. A falta de estrutura e limpeza do local motivaram os ambulantes a pedir prorrogação para deixar o viaduto.
O presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva, disse hoje que o bolsão está sem condições e pretende pedir uma prorrogação ainda maior para a permanência dos ambulantes. "A gente tenta meios para ficar mais tempo", disse. "Pelo menos até acabar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)".
Na Secretaria das Administrações Regionais (SAR), entretanto, uma nova prorrogação está fora de questão. A Assessoria de Imprensa da SAR informou que o viaduto deve estar desocupado até as 21 horas do dia 27. De acordo com a assessoria
o secretário da SAR, Domingos Dissei (PPB), recebeu a solicitação para prorrogar o prazo de desocupação do viaduto e consultou o promotor do Ministério Público Estadual José Carlos Blat e o delegado Romeu Tuma Junior. Eles concordaram em que não haveria inconvenientes na permanência por mais duas semanas dos ambulantes no viaduto e consentiram na prorrogação. O pedido feito pelos camelôs tinha por objetivo conseguir vender toda a mercadoria em estoque antes da mudança, informou a assessoria da SAR. A idéia, expressa hoje por Silva, de permanecer mesmo após o novo prazo não era conhecida por Dissei, Blat ou Tuma Junior, de acordo com a assessoria.
Para os ambulantes que trabalham na via, o muda-não-muda atrapalha mais que ajuda as vendas. "A gente fica em dúvida e não sabe se compra ou não mercadoria", disse o camelô Antônio Vaz, de 53 anos, contrariando a explicação dada pela SAR para o novo prazo. Ele vende acessórios para celular no viaduto há oito anos. "Sem variedade, você não vende". Ameaça - Gilberto Monteiro da Silva estava atônito hoje à tarde. No Viaduto Santa Ifigênia, ele olhava sem parar para todos os lados. Tinha sobressaltos e levava sustos com qualquer pessoa que se aproximasse dele. "Acabei de receber uma ameaça", afirmou. "Ligaram para meu celular dizendo que me matariam".
Ao deixar o viaduto, por volta das 17h30, garantiu que iria ao 4.º Distrito Policial (DP), na Consolação, registrar um boletim de ocorrência, mesmo sendo o Viaduto Santa Ifigênia área de responsabilidade do 3.º DP, em Santa Ifigênia. Silva acredita que a ameaça tenha por intuito intimidá-lo. "Alguém quer me influenciar antes de eu depor na CPI (que investiga corrupção nas regionais)."


