Camelôs protestam contra retirada de barracas
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 08 (AE) - Camelôs da região da Rua 25 de Março voltaram a protestar hoje contra a determinação da Prefeitura de retirar barracas dessa área da cidade. Embora prometessem uma passeata em direção ao Ministério Público Estadual - que estava fechado, por ser Dia da Justiça -, os ambulantes conseguiram reunir apenas cerca de 50 pessoas, que fizeram uma pequena manifestação nas ruas da região. A Guarda Civil Metropolitana e fiscais da Administração Regional da Sé fizeram algumas apreensões de mercadorias.
Até as 10h30, a única movimentação na região da 25 de Março era dos fiscais. Nesse horário, porém, o presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, Afonso José da Silva, chegou para dar apoio aos colegas. Acompanhado de seguranças e de um grupo de cerca de 15 pessoas, ele liderou o protesto pelas ruas próximas. O trânsito chegou a ficar um pouco complicado.
Os camelôs tentaram fechar alguns estabelecimentos no "grito", mas intimidaram poucos comerciantes. Também houve alguns bate-bocas com ambulantes, que se recusavam a deixar o trabalho para protestar.
Nojo - Silva disse estar decidido a lutar para que a categoria possa ter uma documentação e pagar impostos. "A Prefeitura não regulariza a nossa situação para manter a corrupção." De acordo com ele, depois das denúncias contra a máfia dos fiscais, o esquema de recolhimento de propina foi "profissionalizado". "Sinto nojo da Prefeitura."
Os líderes dos camelôs acusaram mais uma vez o prefeito Celso Pitta (PTN) e a Administração Regional da Sé de não tentarem colaborar para a organização dos ambulantes na região. "Hoje tem gente de outras regiões da cidade vendendo aqui e não foi esse o nosso acordo", afirmou o diretor do Sindicato da Economia Informal Marco Antônio Maldonado. "Nós pedimos várias vezes a ajuda da Guarda Civil Metropolitana e da regional
mas ninguém apareceu." Maldonado criticou também o fato de algumas lojas da região ocuparem as calçadas com mercadorias. "Isso ninguém tira."
Hoje, Maldonado pretendia entregar ao delegado Romeu Tuma Junior uma lista de pessoas que poderiam colaborar com informações sobre a "sobrevivência" da cobrança de propina na região da 25 de Março. "Tem muita gente com medo de falar", contou o dirigente. O delegado não respondeu aos telefonemas da reportagem para dizer se vai abrir inquérito a fim de apurar as denúncias. O encontro com o promotor José Carlos Blat também foi suspenso pelo fato de o MPE estar fechado.
Amanhã (09), os camelôs prometem protestar em frente da Câmara Municipal, a partir das 14 horas. Os manifestantes pretendem entregar um documento ao presidente da Casa, vereador Armando Mellão (PMDB). A idéia, de acordo com Maldonado, é cobrar do parlamentar uma promessa que ele teria feito de trabalhar pela votação urgente do projeto, que pode regularizar a situação da categoria na cidade. A Assessoria de Imprensa do vereador informou que Mellão fez "tudo o que podia" pelo projeto. O texto ainda tem de passar por uma audiência pública antes de ser encaminhado para votação.


