Londrina - Em janeiro de 2003, foi inaugurado o Camelódromo Central de Londrina, na esquina das ruas Sergipe e Mato Grosso. O Shopping Popular, como foi batizado à época, abrigou 316 camelôs que há anos trabalhavam em uma calçada da Avenida Leste-Oeste em frente ao Museu Histórico e em um trecho interrompido da Avenida São Paulo, entre a própria Leste-Oeste e a Rua Benjamin Constant. A Prefeitura de Londrina esperava com isso resolver uma polêmica de anos, iniciada com decisões de administrações anteriores de fechar os trechos mencionados para concentrar os camelôs da região Central em apenas um ponto.
Mas as controvérsias estavam só começando. Nos nove anos seguintes à inauguração, o Camelódromo voltou ao noticiário em razão de denúncias de vendas de boxes (que eram irregulares no período em que a Prefeitura custeou o aluguel do prédio), contrabando, pirataria, comercialização de medicamentos proibidos, contestações aos repasses feitos pelo poder público, problemas na fiação elétrica e na estrutura de segurança e acessibilidade, bate-bocas com a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). O momento mais delicado foi em 2007, quando a Receita Federal apreendeu R$ 3 milhões em mercadorias no local durante a Operação Capitão Gancho 2. A reação dos lojistas veio em forma de arrastão no Centro de Londrina, fechando lojas, bancos e outros estabelecimentos.
Desde então, aparentemente as coisas se acalmaram no Camelódromo. Samuel dos Santos, presidente da ONG que administra o empreendimento, considera que a Capitão Gancho 2 foi um divisor de águas. ''Antes da operação, não tínhamos a quantia de microempresários que temos hoje no Camelódromo. A partir daquele momento, muita gente abriu firma'', aponta. Ele considera que a situação dos lojistas mudou muito desde a saída da rua e que hoje há uma mentalidade empresarial entre os comerciantes.
''Em relação há quase 10 anos, para quem vivia no meio da rua, debaixo de sol e chuva, esses nove anos foram bons. Hoje, são 350 lojistas aqui. Cerca de 500 famílias, ou 1,2 mil pessoas, vivem do Camelódromo'', afirma Santos. ''85% dos lojistas hoje são microempresários, com empresa aberta, CNPJ. Estamos trabalhando para que os 15% restantes se adequem. Seria melhor para todos. O Camelódromo não vive mais da informalidade.''
Marcelo Casagrande, dono de uma tabacaria no Camelódromo, era um dos camelôs que tinham barraca na Avenida São Paulo. Ele acredita que não só os comerciantes se qualificaram, mas também o público. ''Quando você sai da informalidade, passa a ser um microcomerciante. Vejo com bons olhos essa evolução dos comerciantes daqui. Hoje temos uma estrutura com sanitários, praça de alimentação, escada rolante. A clientela vai desde a classe A até moradores de rua'', argumenta.

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