O líder dos camelôs que atuam no Brás, Afonso José da Silva, 29 anos, disse ontem, em entrevista coletiva na Santa Casa, que tem informações de que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo receberia dinheiro e combustível de comerciantes da região do Brás (centro) durante as folgas. A GCM, em contrapartida, beneficiaria os lojistas da região retirando os ambulantes que trabalham nas ruas do bairro. Silva foi alvo de atentado a tiros na semana passada.
Segundo o camelô, a história da Guarda Metropolitana lhe teria sido contada por Robson Carneiro, 32 anos, ex-coordenador de ação política do prefeito Celso Pitta (PPB). Silva teria ido ao gabinete do prefeito apresentar uma proposta para legalização dos ambulantes naquela região. Ele teria sido alertado por Carneiro, no entanto, de que o projeto não seria aceito, mesmo com o apoio de alguns comerciantes. O motivo da recusa: o acordo existente entre os lojistas do Brás e a GCM.
Ainda segundo o camelô, o prefeito teria, inclusive, prometido estudar a proposta. ‘‘Três dias depois, no entanto, ele (Pitta) mudou o discurso e falou que os camelôs seria retirados daquela área’’. Silva também afirmou que Pitta é omisso em relação ao esquema de corrupção nas administrações regionais.
O camelô afirmou que reconheceria a pessoa que tentou matá-lo a tiros e ficou surpreso com o envolvimento do ex-soldado e hoje ambulante Anidosvaldo de Assis Pereira, 30 anos, no atentado. ‘‘É uma pessoa que eu conhecia há muito tempo e que inclusive ajudei a arrumar barraca.’’
Ele voltou a dizer que acredita que os mandantes do atentado sejam pessoas ligadas ao deputado estadual eleito Hanna Garib (PPB). ‘‘São pessoas que trabalham como cabo eleitoral dele’’. O camelô também disse que teme voltar para o apartamento onde mora, mas afirmou não ter outra opção.Evelson de Freitas/Folha ImagemAlvoAfonso José da Silva pediu proteção policial para sua família à secretaria de Segurança Pública de São PauloAgência Folha

mockup