São Paulo, 23 (AE) - Quase uma centena de policiais passou a madrugada de hoje cercando o Parque Trianon, nos Jardins, para prender o acusado de um assassinato, que se escondera no meio da mata. A polícia só conseguiu encontrá-lo quando a tropa do Comando de Operações Especiais (COE) foi chamada. Especializados em guerra e operações de salvamento na selva, os homens dessa unidade localizaram o camelô Avelino Gomes de Lima escondido em uma moita e com o corpo coberto por folhas. Estava de cuecas. Ao seu lado, um revólver calibre 38.
Teria sido com essa arma que o acusado terminou a discussão que teve com a vítima, o montador de móveis Jurandir Monteagudo Silva Junior, de 22 anos. Foram dois tiros na cabeça. O crime ocorreu às 4 horas na Praça Alexandre Gusmão, perto da esquina da Alamedas Casa Branca e Santos, nos Jardins, zona oeste de São Paulo.
O comerciante Arnaldo Oliva Tucci, de 30 anos, contou que passeava com o montador de móveis quando pararam no semáforo da esquina das duas alamedas. Silva Junior olhou pela janela do carro, viu o camelô e disse: "Olha aí o f. da p.". Em seguida, abriu a porta do carro e saiu andando em direção ao camelô. O comerciante estava manobrando o carro quando ouviu o primeiro tiro disparado contra seu amigo.
Tucci desceu e viu o amigo caído, baleado. Caminhou em direção do montador de móveis e cruzou com o acusado. Segundo ele, o bandido apontou o revólver e disse: "Aqui é bandido." Em seguida, apertou várias vezes o gatilho, mas as balas não saíram.
O criminoso saiu correndo e entrou no parque. O comerciante ligou para a Polícia Militar. Ao mesmo tempo, testemunhas telefonaram para o 78.º Distrito Policial. Em pouco tempo, o parque estava cercado pelas Polícias Civil e Militar. Havia homens do 7.º Batalhão da PM, da delegacia e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da Polícia Civil.
Alguns policiais entraram no Trianon e localizaram mais duas testemunhas do caso, um vigia e um auxiliar de escritório. Ambos disseram ter visto o acusado correr armado para o interior do parque após ter pulado uma grade. Os policiais recuaram e esperaram pela chegada do policiais militares do COE, que fizeram um trabalho de varredura da mata até encontrar o acusado. Além do revólver achado ao lado, os policiais também encontraram uma calça, uma jaqueta e uma camisa.
Inocente - Ao ser detido, o acusado negou o crime e disse que quem havia atirado no camelô tinha sido um amigo seu, conhecido como Carioca, que lhe teria entregue a arma após disparar na vítima. Lima também apresentou-se com um nome falso: José Salésio. Só mais tarde o 78.º DP descobriu, por meio de pesquisa das impressões digitais do preso, o verdadeiro nome do acusado.
Ele foi reconhecido na delegacia pelas testemunhas do caso e autuado em flagrante, sob a acusação de homicídio, pelo delegado Alexandre Sampaio Zakir.

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