Camdessus e Rubin pressionam bancos por reabertura de crédito
Washington, 08 (AE) - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, confirmou hoje sua intenção de recomendar a nova versão do programa econômico brasileiro para os próximos três anos à diretoria executiva da organização. Em suas declarações, que foram distribuídas no momento em que o governo divulgava os detalhes do novo programa em Brasília, Camdessus enfatizou a importância da pronta participação dos credores privados no financiamento do País.
O anúncio colocou novamente em marcha a operação internacional de suporte à economia brasileira iniciada no final do ano passado, sob o impacto da crise financeira da Rússia, e abruptamente interrompida pela crise de confiança que obrigou o governo a mudar a política cambial.
A declaração de Camdessus foi imediatamente avalizada por uma forte manifestação de apoio do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Robert Rubin. "Aplaudimos o importante acordo entre o Brasil e o FMI em torno de um programa econômico reforçado", afirmou Rubin. "O Brasil pretende ultrapassar tanto as metas fiscais como de redução dívida acordados com o Fundo no ano passado, e deu passos importantes desde então para alcançar esses objetivos."
O secretário do Tesouro acrescentou que a "execução firme e sustentada desse programa pode preservar a estabilidade financeira, salvaguardar os importantes resultados obtidos sob o Plano Real e assentar bases sólidas para a restauração da confiança e a volta do crescimento".
Rubin também defendeu a colaobração dos bancos privados internacionais na ajuda ao Brasil. Ele e Camdessus deixaram clara a disposição do setor oficial de respaldar o governo brasileiro em sua campanha junto aos bancos pelo restabelecimento das linhas de crédito que começaram a secar após a moratória parcial da Rússia, em agosto do ano passado.
Depois de informar que as autoridades brasileiras pretendem buscar, a partir desta semana, compromissos voluntários de seus bancos credores, Camdessus concluiu seu comunicado com uma frase claramente calculada para pressionar os bancos a reabrir o quanto antes seus cofres para o País. "Esse esforço é central ao sucesso do programa e será um fator chave no exame do programa pela diretoria executiva do FMI no fim de março ou início de abril", afirmou o diretor-geral do Fundo, no que pode ser visto como uma ameaça velada ao setor privado.
"O Brasil está no processo de discutir com as instituições financeiras privadas internacionais arranjos voluntários para ajudar a garantir apoio ao programa no setor privado", reforçou Rubin.
"Uma participação substancial dos credores privados do Brasil é importante para o programa econômico brasileiro", acrescentou o secretário do Tesouro, confirmando em seguida que, "nesse contexto", os EUA estão "prontos a juntar-se ao FMI e a outros países para tornar disponível financiamento substancial dentro do programa de apoio internacional montado no ano passado".
Recursos - A declaração de Rubin abriu o caminho para que o País receba cerca de US$ 4,6 bilhões adicionais dos 20 países que contribuíram para o pacote financeiros de US$ 41,5 bilhões tão logo a diretoria do FMI aprove a liberação da segunda parcela do empréstimo da instituição, no mesmo montante.
Esta não é a única diferença importante do acordo anunciado hoje, em relação ao que foi aprovado pela diretoria do FMI em dezembro. Em contraste com o programa anterior, não houve desta vez menções ao caráter preventivo ou inovador do novo arranjo. "De fato, o que temos agora é um programa de estrutura mais tradicional", confirmou uma fonte do FMI. Outra diferença é a do clima em que o acordo foi anunciado.
Embora Rubin tenham notado que o sucesso na preservação da estabilidade no Brasil tem "importância crítica para os EUA, para outras economias regionais e a comunidade internacional", o fato é que o novo acordo ocorre num momento em há uma percepção de que o risco de contágio de um eventual colapso brasileiro seria bem menor.
Mais: tendo deixado de honrar a tempo os compromissos de austeridade fiscal que assumiu perante a comunidade internacional apenas quatro meses atrás, o País terá agora que fazer um esforço maior de ajuste das contas do setor público e produzir um saldo primário de 3,1% do PIB em 1999, ou 0,5% além do que se comprometeu a fazer em novembro.
A disposição de apoio do Tesouro deriva, em grande parte
da percepção de que a mudança do regime cambial, por penosa que tenha sido, liberou a economia brasileira de uma fonte de pressão e abriu o caminho para o País praticar uma política monetária realista e flexível.Por Paulo Sotero ATENÇÃO EDITOR: Como cortesia, distribuímos também aos assinantes do Noticiário Geral esta matéria de correspondente no exterior.





