Camdessus diz que acordo com o Brasil é iminente
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 01 (AE) - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, anunciou hoje o iminente acordo com o Brasil. E, antecipando-se à equipe econômica brasileira, que este mês inicia um tour pelas principais capitais financeiras, ele pediu o apoio dos bancos privados, cujas linhas de crédito são fundamentais para a estabilidade econômica do País.
Na mesma ocasião, o secretário adjunto do Tesouro americano para Assuntos Internacionais, Edwin Truman, alertou: por mais que o governo brasileiro esteja empenhado em sanear sua economia, "pode passar algum tempo até que os mercados se convençam que o Brasil virou a página". Na sua avaliação, esse prazo costuma ser de três meses depois do fim de uma crise.
Tanto Camdessus quanto Truman falaram na reunião anual do Instituto de Banqueiros Internacionais (IIB), que reúne mais de 200 bancos operando nos Estados Unidos, com sedes em 50 países. "Como vocês são banqueiros inteligentes e gostam de tomar riscos bem pensados, em países com um futuro brilhante, estou certo que estarão felizes em apoiar rapidamente o programa (que o FMI está negociando com o Brasil)", disse Camdessus.
Segundo ele, todos saberão dos detalhes do novo acerto entre o Brasil e o FMI antes do início da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que começa no próximo dia 15, em Paris. Essa será a primeira escala da equipe econômica, num tour que prosseguirá pela Europa, os Estados Unidos e a ásia, em busca de capitais privados estrangeiros.
Tanto Truman, quanto Camdessus reconheceram os esforços do governo brasileiro. E ambos minimizaram - para uma platéia responsável por grandes investimentos, mas pouco informada sobre os meandros da política interna de cada economia emergente - os conflitos entre os governos federal e estaduais e no Congresso brasileiro.
Tanto é assim que o primeiro banqueiro que questionou Truman perguntou sobre o enfrentamento entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-presidente e atual governador de Minas Gerais, Itamar Franco. "Trata-se de um pronblema político interno e deveria ser examinado sob essa ótica", disse Truman. "O governo federal e outros governadores entendem o problema", acrescentou, para justificar seu otimismo.


