Cãmbio volta a abrir em alta; dólar a R$ 1,94 na venda
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
por Lucinda Pinto 
São Paulo, 09 (AE) - Os principais motivos de temor do mercado ontem deram sinais de arrefecimento hoje, mas nem por isso trouxeram o bom humor de volta. Em Brasília, a reunião dos ministros com os governadores foi interpretada pelos analistas como uma boa saída para a animosidade que se formou entre o governo federal e os estaduais. Por um lado, Fernando Henrique não retrocedeu em sua posição de não receber os governadores de oposição por julgar a posição do grupo agressiva. Porém, com a presença dos ministros Malan e Pimenta da Veiga na reunião, evitou-se decisões radicais por parte dos governadores. Em Minas
outro foco de preocupação, a garantia de que o governo federal deve pagar o eurobônus do estado caso Itamar Franco não o faça também trouxe alívio. Mas em nenhum dos dois casos é possível garantir o fim da crise. Ainda devem persistir dificudades no diálogo entre oposição e governo federal, só não se sabe qual as consequências das divergências.
Assim, o pano de fundo para o mercado de câmbio confirma a postura de cautela dos profissionais inspirada pelo fluxo que se mantém negativo. Ontem, os operadores observaram saídas de US$ 120 milhões da Petrobrás e US$ 150 milhões da Eletrobrás. Hoje, comenta-se que deve haver outros US$ 100 mihões saindo, referentes a uma operação do Bemge. Para amanhã, espera-se as saídas de US$ 100 milhões dos eurobonus de Minas Gerais e US$ 100 milhões da Barclay,s. Na sexta, total de US$ 220 milhões (ABN e Votorantim). As exportações, na contramão, nem ameaçam compensar essas saídas. Assim, espera-se que a variação do dólar hoje fique acima do fechamento de ontem, de R$ 1,92.
A moeda abriu hoje a R$ 1,94, 1,04% acima do ptax de ontem. Mas, por enquanto, ninguém aposta em intervenção do BC. Os profissionais acreditam que Armínio Fraga só vai tentar derrubar a cotação em um momento de fraqueza do mercado, e não quando há compromissos previstos que resultam em saídas financeiras fortes, como agora.


