São Paulo, 13 (AE) - O setor de autopeças espera reduzir à metade seu índice de ociosidade, hoje em cerca de 40%, por conta do início da produção no País de componentes atualmente importados. As montadoras já estão concluindo as discussões com seus fornecedores sobre as peças que passarão a ser fabricadas localmente, principalmente itens usados no motor e no câmbio dos veículos.
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori
acredita que, a partir do segundo semestre, a ociosidade dos fabricantes - que estão preparados para atender a uma produção de 2,5 milhões de veículos ao ano -, deverá chegar no máximo a 20%. A previsão de demitir parte dos 167 mil empregados do setor também foi revista.
Os acordos que estão sendo firmados entre os fabricantes de autopeças e as montadoras incluem novos programas de exportação. Segundo Butori, somente o mercado interno não justificaria investimentos para a nacionalização de peças. Com essa nova perspectiva, as autopeças esperam compensar a perda estimada de US$ 600 milhões com vendas para a Argentina e ainda conseguir um crescimento real de 3%, fechando o ano com US$ 4,6 bilhões de exportações.
A Wiest, com fábricas em São Paulo, Santa Catarina e Recife, pretende reduzir sua ociosidade de 30% para 10% neste ano. Com 12 projetos em andamento de peças para serem nacionalizadas, a empresa está investindo R$ 72 milhões e vai contratar pelo menos mais 50 funcionários para ampliar seu atual quadro de 800 trabalhadores.
Fornecedora das empresas chamadas de sistemistas (que entregam às montadoras sistemas com várias peças agregadas), a Wiest produz peças tubulares, sistemas de exaustão e escapamentos. O presidente do grupo, Jamiro Wiest, calcula que a nacionalização vai reduzir os custos dos seus clientes entre 30% e 50%.
A francesa Valeo concluirá até julho as instalações de uma nova unidade para a produção de lentes plásticas para faróis
equipamento que atualmente é importado da Europa e dos Estados Unidos. Também está desenvolvendo estudos para ampliar, entre outros itens, a produção local de alternadores, que têm 70% da atual oferta vinda de fora. Investimentos - O presidente da Valeo para a América do Sul, Alain Keruzore, disse que os investimentos previstos para este ano são de cerca de US$ 60 milhões. O grupo emprega 2,5 mil funcionários nas 13 fábricas de São Paulo e Minas Gerais e prevê a ampliação do quadro, mas o executivo não divulgou números.
A Van Zin optou por produzir no Brasil peças de manutenção para as máquinas usadas na produção de escapamentos, antes importadas da Itália. O gerente-industrial Celso Bernardi disse que o custo dessas peças cairá dos atuais US$ 700 para R$ 250. Para facilitar o processo em algumas empresas, o Sindipeças e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estão negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma linha especial de financiamento. O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, disse que o valor para o crédito será anunciado em breve.
Segundo Butori, há um grande espaço para o setor crescer
principalmente com as fábricas que foram inauguradas recentemente, que importam cerca de 30% dos componentes dos veículos que produzem. Os carros de médio porte mais antigos no mercado têm de 20% a 25% das peças importadas e os de motorização menor, cerca de 10%.

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