Câmbio permite custo realista nos portos, aponta estudo
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Renata Stuani 
São Paulo, 16 (AE) - A desvalorização do real fará com que os custos de movimentação portuária no Brasil caiam e se estabilizem em níveis mais realistas. O resultado será benéfico para as exportações. É o que mostra estudo da Datamar Consultores e Associados, consultoria de São Paulo.
O consultor David Lorimer declara que os custos de movimentação portuária caíram muito desde a abertura da economia nacional iniciada no governo Collor. O custo de movimentação de contêineres caiu de US$ 550/TEU em 1990 para US$ 250 US$/TEU hoje. A sigla TEU (Twenty-Foot Equivalent Unity) equivale a contêineres de 20 pés.
Segundo Lorimer, até 1990 o Brasil era uma grande "ilha" Hoje, está integrado na economia mundial.
Lorimer mostra que a navegação por cabotagem evoluiu muito nesta década com a desregulamentação da atividade. O desenvolvimento da cabotagem será a principal alavanca da movimentação portuária, o que contribuirá também para a queda nos custos.
Utilizando números do Geipot (órgão do governo federal que produz estatísticas da área de transportes), ele mostra que o movimento portuário da carga geral na cabotagem aumentou 173% de 1993 a 1997. A navegação de longo curso só aumentou 19,4% no mesmo período.
Em 1990, de acordo com a Datamar, o Brasil tinha 8.500 exportadores e 16.600 importadores. Em 1998, já tinha cerca de 14.000 exportadores e 36.000 importadores. Ou seja, todo mês surgem entre 400 e 500 usuários de serviços logísticos no Brasil.
Os números mostram que, com a abertura do mercado as importações nos anos 90, o número de importadores mais que dobrou, mas também as exportações continuaram a crescer.
De acordo com Lorimer, o grande problema para os exportadores continua sendo a burocracia, já que os entraves burocráticos prejudicam principalmente as pequenas e médias empresas.
Movimentação - Os números da Datamar indicam que a movimentação de contêineres cheios e vazios nos portos do Brasil aumentou de 3.131.609 em 1997 para 3.281.683 em 98. O porto de Santos foi o que mais movimentou contêineres. O total de 829.625 contêineres movimentados em 97 subiu para 888.378 em 98.
A movimentação mensal de contêineres no Brasil subiu de 140.920 em janeiro de 98 para 183.035 em dezembro de 98. O total movimentado em 98 foi de 2.054.325. Mais do que o dobro da movimentação mensal da Argentina, no Porto de Buenos Aires (961.466). O Uruguai movimentou no total 265.892 contêineres no Porto de Montevideo.
A América do Sul tem 1,5% do tráfego portuário mundial A Datamar possui dados do tráfego portuário mundial coletados pela consultoria britânica Drewry Shipping (ver tabela) desde 1980, levando em conta a movimentação de contêineres de 20 pés (em milhares) e a porcentagem de participação por região do Globo.
O estudo da Drewry inclui estimativas até 2005. De acordo com a tabela, o tráfego portuário da América Latina respondeu por apenas 7% do total geral em 1998, enquanto que a Europa Ocidental respondeu por 22,7% e o Extremo Oriente, por 27 5%. Lorimer afirma que os números da América Latina incluem o Caribe, o que faz aumentar a participação.
"Se fosse computada somente a América do Sul, a participação do continente no tráfego portuário mundial não passaria de 1,5%", diz.
Lorimer acredita que Brasil tem grande potencial para desenvolver nessa área de exportação. "O Brasil exporta apenas 6,6% do PIB, enquanto os EUA exportam cerca de 15%." Segundo ele, a integração do Brasil e de todos os países da América do Sul no comércio mundial ainda está muito aquém dos países da ásia, apesar das dificuldades que esses países têm enfrentado. "O tigre asiático Cingapura, por exemplo, exporta o equivalente a mais de 50% do PIB."
Segundo os estudos da Drewry, a participação no tráfego portuário mundial da América Latina foi de 6,1% em 1980 e também em 1985. Chegou a 7% em 98. Deverá aumentar para 7,2% este ano e para 7,3% em 2000, alcançando 7,6% em 2005.


