Câmbio: nervosismo prossegue
São Paulo, 20 (AE) - As primeiras idéias de câmbio nesta manhã apontam para o dólar mais uma vez em alta. O mercado continua apreensivo e, segundo operadores, a pressão deve ser ainda maior hoje por ser sexta-feira. Afinal, em clima de insegurança, os players vão preferir passar o final de semana "cobertos". "Hoje, ninguém vai querer vender dólares por temer que durante o final de semana surjam notícias ruins ou exploração de fatos políticos por parte das revistas que possam piorar o clima", explica um profissional.
Os analistas observam que a notícia sobre o Equador, que pretende renegociar sua dívida com o FMI (notícia que chegou ao mercado ontem como rumor de que haveria calote), piorou o clima ontem e pode continuar refletindo negativamente por aqui. Mas, ainda assim, o foco das atenções continua sendo o cenário interno. Os profissionais dizem que o mercado se ressente da falta de pulso do governo em aprovar medidas de ajuste (a aprovação do pedido de urgência para a renegociação da dívida ruralista acabou sendo lida pelo mercado como um sinal de fragilidade do governo, mesmo com as afirmações de FHC de que vetará esse projeto).
Ontem, as declarações de Daniel Gleizer, de que o BC não atuará para conter a alta do dólar, também está sendo apontada pelo mercado como uma má notícia. "Ficou um sinal para o mercado de que o dólar pode subir o quanto quiser e isso vai aumentar a procura pela moeda", afirmou um operador. Mas os próprios operadores admitem que o nervosismo hoje se baseia muito mais em expectativa do que em notícias concretas. Assim, mesmo boas notícias, como a balança de pagamentos positiva, não conseguem tranquilizar os negócios hoje.





