Câmbio não ajuda balança, diz governo
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Sílvia Faria 
Brasília, 1 (AE) - As exportações não reagem ao estímulo da desvalorização cambial na mesma proporção da resposta ao aumento da renda mundial, segundo avaliação da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Traduzindo: a recente e elevada desvalorização do real
reclamada insistentemente pelo setor exportador como solução para seu tímido desempenho, não é tão importante assim. A experiência brasileira, segundo a secretaria, mostra que o relevante é a dinâmica da renda mundial.
A nota para a imprensa, que acompanhou os dados divulgados hoje sobre o desempenho da balança comercial em maio, diz que "o passado nos mostrou que as desvalorizações não foram capazes de influenciar decisivamente as exportações. A recuperação no desempenho exportador ocorre devido ao crescimento da economia mundial e, consequentemente, dos fluxos de comércio internacional".
O problema é que a renda mundial não tem evoluído, o que leva à queda dos preços internacionais. E, adicionalmente, as taxas de crescimento do comércio mundial têm tido efeito negativo sobre o desempenho exportador, segundo a análise.
Mesmo com as restrições verificadas, a melhoria do desempenho das exportações em abril e maio reflete ganhos de competitividade. Mas não decorrente da desvalorização do câmbio, como se defendia, principalmente na Federação das Indústrias de São Paulo, para pressionar pela mudança na política.
Foram ganhos de 15% na produtividade da indústria obtidos em 1998, e o ganho de rentabilidade dos agricultores, que permitiram a melhoria do desempenho produtivo e, consequentemente, exportador, segundo a secretaria.


