São Paulo, 05 (AE) - O Índice do Custo de Vida (ICV) calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), registrou alta de 1,15% no município de São Paulo em fevereiro. É a segunda maior alta desde janeiro de 1997, quando o ICV ficou em 2,12%. No entanto, a taxa ficou 0,24 ponto percentual abaixo da apurada em janeiro (1,38%), quando o índice foi pressionado principalmente pelas mensalidades escolares, transportes coletivos e convênios médicos.
Na avaliação do Dieese, a taxa de fevereiro refletiu uma alta de 3,88% nos itens afetados mais diretamente pela desvalorização cambial. A entidade informa que 16,8% dos itens que compõem o ICV têm alguma relação com importação ou exportação e contribuíram com 0,65 ponto percentual na variação do índice. Os demais 83,2%, em princípio, não mantêm relação direta ou indireta com os preços externos e apresentaram um aumento médio de 0,60%, com uma contribuição ao cálculo de 0,50 ponto percentual.
Os grupos de despesas que mais subiram em fevereiro foram os de Equipamentos Domésticos (3%) e Alimentação (2,6%) e os que mais caíram foram de Vestuário (-0,18%) e Habitação (-0 09%). O aumento apurado no grupo Equipamentos Domésticos (3,00%) derivou, principalmente, da alta de 3,73% ocorrida no subgrupo dos eletrodomésticos. Com a alta do dólar, os produtos importados encareceram e permitiram que os nacionais também subissem. Os maiores aumentos foram detectados entre os eletrônicos (5,60%), em especial aparelhos de som (8,86%) e televisão (9,34%).
Na Alimentação (2,60%), as taxas dos subgrupos in natura e semi-elaborados (3,41%) e da indústria alimentícia (3,27%) foram bastante elevadas. A pressão partiu de produtos relacionados com o mercado externo (importados ou exportáveis), mas contou com a contribuição de setores que se aproveitaram da onda de aumentos para reajustar seus preços.
Os principais aumentos dos produtos in-natura e semi-elaborados foram detectados na carne bovina (6,09%) e no frango (6,15%). Na indústria da alimentação os reajustes ocorreram nos derivados do trigo, tais como a farinha (10,3%), macarrão com ovos (5,68%), pão francês (5,63%) e pães industrializados (8,88%); e de soja, caso do óleo de soja (9 94%) e da margarina (1,05%). Outros produtos, fortemente relacionados ao mercado externo, sofreram altas consideráveis, como o café em pó (13,34%) e o azeite estrangeiro (9,07%). Porém
alguns bens foram reajustados sem nenhuma relação aparente com a variação do dólar, como é o caso dos derivados de leite (3 73%), em especial o leite longa vida (11,45%) e os queijos (4 67%).
Os percentuais negativos registrados nos grupos Vestuário (-0,18%) e Habitação (-0,10%) devem-se às liquidações de fim de estação e à redução nos preços dos aluguéis (-1,69%), respectivamente. O aumento de preços, em fevereiro, afetou as famílias de forma diversa. As famílias de menor renda, que ganham em média R$ 377,49, foram as mais penalizadas pelas altas
e sua taxa atingiu 1,46%. Para famílias com rendimento médio de R$ 934,17, o índice ficou em 1,41%. Famílias de maior renda - que recebem em média R$ 2.792,90, tiveram a menor alta: 0,95%.

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