Câmbio flutuante é o melhor para emergentes
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Rita Tavares 
Washington, 14 (AE) - O diretor do Departamento de Pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa, disse há pouco que o regime de câmbio flutuante é a melhor opção para países emergentes que têm intenso contato com o mercado financeiro global. A maior flexibilidade do regime flutuante permite ajustes à volatilidade desses mercados.
"O importante é que o câmbio flutue de verdade e que o mercado tenha garantia disso", disse Mussa, refutando o uso do câmbio para sustentar políticas internas ou externas. Ao mesmo tempo, ele advertiu que, regimes flutuantes, não oferecem garantias implícitas a investidores. Os governos, segundo ele, não sairão em socorro de empresários que fizerem um mal julgamento para a tomada de decisões.
Ao ser indagado sobre a Argentina, que mantém o câmbio fixo, Mussa disse que o país tem políticas fortes que sustentam esse regime. Ele citou especificamente a política monetária que é voltada para sustentar o câmbio. "Sem uma política forte e com instituições fracas, que foi exatamente o que aconteceu na ásia, o câmbio fixo pode provocar um verdadeiro desastre", afirmou Mussa, em entrevista coletiva.
Segundo Mussa, o Brasil teria optado pelo câmbio flutuante, depois de ter trabalhado com o sistema de bandas entre julho de 94 e janeiro de 99, por não ter uma combinação de políticas que dessem sustentação à primeira escolha. Para a maioria dos países em desenvolvimento, ponderou o diretor do FMI, não há necessidade de adoção de um câmbio flutuante, já que esses países têm reduzido contato com o mercado global. A China foi um exemplo citado, por Mussa.
União monetária - O diretor do Departamento de Pesquisas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa, ao ser indagado sobre a viabilidade de uma união monetária no Mercosul que reduzisse o impacto de políticas de um país em outro, como foi o caso do Brasil e Argentina em 99, disse não ter uma conclusão sobre o assunto. "Às vezes, os vizinhos ajudam. Às vezes, atrapalham", afirmou.
Segundo ele, se a Argentina foi prejudicada pela desvalorização do real em 99, ganhou, em contrapartida, em 94, quando da adoção do real que ajudou os argentinos que viviam a crise da tequila. A desvalorização do real foi, considerada por ele, uma "situação especial".
Mussa citou dois exemplos diferentes para ponderar que não há uma experiência ideal. Enquanto a União Européia tem moeda única, os Estados Unidos e Canadá tem livre comércio, com moedas própria, que funciona bem.


