Brasília, 11 (AE) - Às vésperas do primeiro aniversário de implantação do regime de câmbio flutuante no Brasil, o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Sergio Werlang, admitiu, que o modelo de câmbio fixo pode funcionar em algumas economias. "Alguns países da Europa estabeleceram uma paridade com a Alemanha e deu certo", disse. Werlang ressalta que, para dar certo, a fixação da paridade tem de ser feita entre países com economias que reúnam muitas semelhanças.
Na opinião do diretor do BC, esta não é a situação do Brasil. "Só como exemplo, os salários no Brasil são incomprimíveis. Nos Estados Unidos, não há isso", disse o diretor do BC. Ele lembrou que um país como o Canadá pode fixar uma paridade em relação dólar norte-americano por ter grandes semelhanças econômicas com os Estados Unidos, apesar de manter suas peculiaridades.
Apesar do comentário sobre a possibilidade de acerto de um regime cambial fixo, o diretor de Política Econômica do BC acredita que o câmbio flutuante é o mais adequado para os tempos de livre fluxo financeiro. "É o sistema mais propício para absorver flutuações", afirmou. Ele lembrou que a queda recente da Nasdaq em 6% em um único dia foi perfeitamente absorvida pelo sistema cambial brasileiro. "Não houve nada demais", disse lembrando que a Nasdaq já vinha acumulando uma alta de 50% ao longo do tempo.
Avaliando o câmbio flutuante brasileiro, ele comentou que o regime vem apresentando bom desempenho e atrelou este bom desempenho ao fato de a flutuação ter sido adotada num contexto de austeridade fiscal e de fixação das metas de inflação. "Isto é fundamental para o bom funcionamento do câmbio flutuante", afirmou ao lembrar que alguns países usam como âncora nominal metas de agregados monetários e não de inflação. A volatilidade do real frente ao dólar norte-americano, na avaliação de Werlang
esteve dentro dos parâmetros internacionais. "O real teve uma oscilação muito parecida com a do yen em relação ao dólar. Somente nos primeiros meses após a flutuação é que houve uma oscilação maior", afirmou.
O custo de implantação do regime de livre flutuação do câmbio, segundo o diretor do BC, foi baixo. Os juros reais, de acordo com Werlang, são os mais baixos desde 1991, quando se usa com deflator o IGP. Usando os IPCs como deflator, os juros reais
segundo o diretor do BC, são os menores desde o lançamento do Plano Real, em julho de 1994. O diretor ainda lembrou que a mudança de regime cambial não provocou uma queda abrupta da atividade econômica. "A economia cresceu num nível que pode até ter sido superior a 0,5%", disse o diretor do BC se referindo ao comportamento da economia brasileira em todo o ano passado.
Nas economias asiáticas, a flutuação cambial foi sucedida por um agravamento do processo recessivo e aumento do desemprego. Isto levou alguns analistas a projetaram uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 4% logo após o anúncio da flutuação do câmbio.

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