Rio, 12 (AE) - A Companhia de Eletricidade de Minas Gerais (Cemig) vai registrar prejuízo do primeiro trimestre deste ano, por causa da mudança na política cambial. Em apresentação hoje na Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec/RJ), o diretor de suprimento de material da companhia, Luiz Antonio de Souza Baptista, informou que 60% da dívida total da empresa, de R$ 1,135 bilhão, estão indexados ao dólar, o que significava, pelo balanço de 31 de dezembro, R$ 657 milhões.
"Com a desvalorização do real, esse valor deve passar de R$ 1 bilhão no fechamento do balanço de março", afirmou Baptista. Ele destacou que, do total da dívida, apenas US$ 65 milhões serão pagos este ano, para fins de amortização.
O endividamento da companhia tem um perfil de médio para longo prazos, com taxas de juros fixas. Parte dessa dívida refere-se a uma emissão de eurobônus, no valor de US$ 150 milhões, com vencimento em 2001. O restante corresponde a créditos de fornecedores e a financiamentos externos.
O assessor de coordenação de Relação com os Investidores
Luiz Fernando Rolla, disse que, caso a Receita Federal não adote algum tipo de diferimento para o impacto fiscal da desvalorização, a empresa também não optará pelo diferimento das perdas cambiais, como permite a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Se isto acontecer, vamos colocar todo o prejuízo no primeiro trimestre", afirmou.
A privatização da Cemig, inicialmente prevista nos planos do governo, está sendo descartada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).
Baptista, disse que a empresa está trabalhando com uma projeção de queda de 5% para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, o dobro do que prevêem os analistas de mercado, e uma queda no consumo de energia da companhia de 2%. Apesar disso, ele espera um acréscimo na receita em razão do aumento de tarifas aprovado este mês, de 16,25%.
Baptista afirmou, no entanto, que já está havendo uma recuperação do consumo em razão do aumento nas exportações.
A Cemig espera investir R$ 540 milhões este ano, sendo R$ 142,5 milhões em geração, R$ 67,8 milhões em transmissão, R$ 322,7 milhões em distribuição e R$ 7,9 milhões em outras atividades. Desse total, 55% serão recursos próprios, 38% provenientes de financiamentos da Eletrobrás e outras fontes e 7% de recursos do consumidor - obtidos nos casos em que o consumidor paga um adicional por utilizar linhas não lucrativas para a companhia.

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