Câmbio e juro já melhoram perspectivas da indústria, revela CNI
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 11 (AE) - O equilíbrio obtido na taxa de câmbio e a trajetória de queda dos juros começam a reverter o quadro negativo vigente no setor industrial, segundo informou hoje o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fernando Bezerra. Conforme os indicadores industriais pesquisados em março pela entidade junto a 3.700 grandes e médias empresas do País, as vendas reais e as horas trabalhadas na produção apresentaram um crescimento de 20,68 % e 12,32%, respectivamente, em relação a fevereiro passado.
Dessasonalizados, esses dois índices mostram expansão de 4,34% para as vendas e de 2,99% para as horas trabalhadas no período, explicou Bezerra. Ele explicou que o crescimento registrado em março foi causado por razões sazonais (as vendas da indústria são tradicionalmente fracas em janeiro e fevereiro) e que em alguns segmentos, como o das indústrias exportadoras, traduz os ganhos obtidos com a desvalorização cambial em seus faturamentos.
O assessor econômico da CNI, Flávio Castello Branco salientou que o efeito do câmbio ainda não significa, porém, aumento nas exportações. Segundo ele, falta de crédito e de condições competitivas estão dificultando o aumento das vendas externas.
Em função disso, informou que a CNI está revendo a sua previsão inicial de que o País obtivesse de um superávit entre US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões na balança comercial este ano. "Achamos hoje que esta previsão está um pouco otimista", observou.
Segundo ele, a entidade ainda não tem uma nova estimativa definida, mas é importante que a partir do segundo semestre comecem a ser obtidos superávits mensais entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões, para obter um saldo positivo no final do ano, alertou.
Emprego - Bezerra informou que a recuperação industrial captada pelos indicadores em março, apesar de mostrar que a utilização da capacidade instalada industrial aumentou em 3,1 pontos percentuais, ainda não se refletiu no mercado de trabalho.
O pessoal total empregado no setor teve uma queda de 0 46% em março comparado com fevereiro, e de 0,74%, no índice dessasonalizado. Esta queda foi, no entanto, menor que nos meses anteriores, quando este percentual chegou a ultrapassar um ponto percentual.
O presidente da CNI disse esperar que os indicadores de abril e deste mês já tragam sinal de recuperação no mercado de trabalho. "As empresas ainda preferem apostar no pagamento de horas extras a contratar, porque ainda tem algum receio sobre a conjuntura", afirmou.
O enfraquecimento do mercado de trabalho também se refletiu nos salários pagos em março, que tiveram uma queda de 0 38% (a terceira do ano), menor, portanto, que janeiro e fevereiro. Bezerra disse que, de qualquer forma, os números de março mostram que uma perspectiva favorável começa a se consolidar no meio empresarial.
"Estamos perplexos com a rapidez com que a crise foi superada", observou, alertando que é preciso ter cuidado para não exagerar no otimismo.
Apesar da melhora nos números de março passado, todas as variáveis pesquisadas mostram números negativos quando comparadas ao ano passado: as vendas reais são 1,84% menores que em março de 1998, enquanto a comparação referente ao mercado de trabalho foi especialmente negativa, mostrando uma queda de 7 07% no mesmo período.


