Cambate ao crime vira tema de discurso de FHC
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sábado, 22 de junho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O combate ao crime tornou-se tema obrigatório não só nas eleições. Preocupado em mostrar que a segurança pública é uma de suas prioridades, mesmo no final da gestão, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem usado seus últimos discursos para manifestar indignação com o crescimento da violência e anunciar medidas para reduzir a criminalidade.
Na semana passada, por três vezes ele lembrou os esforços feitos na ajuda aos Estados, para enfrentar a violência e o tráfico de drogas. Insistiu que o problema é de toda a sociedade e só será solucionado se todas as esferas de poder e a própria população se mobilizarem. Agora, aposta na criação dos plantões sociais nas delegacias, para atender as populações carentes, na valorização do policial e no investimento e integração das áreas de inteligência entre as polícias estaduais e os órgãos do governo federal.
Apesar dessa demonstração de empenho no combate ao aumento da criminalidade e de considerar injustas as críticas à atuação de seu governo, apenas em junho de 2000 foi lançada o Plano Nacional de Segurança Pública. Fizemos um esforço razoável, disse o presidente, embora reconheça que ainda há muito a fazer.
Como a primeira edição do plano praticamente não saiu do papel, em agosto, o governo lançou uma segunda versão, com 15 novas medidas. Depois, várias tentativas foram feitas para tentar reduzir o crime, com a criação de forças-tarefas nos Estados em janeiro, a revitalização do Conselho Nacional de Segurança Pública em fevereiro e, na semana passada, novas assinaturas de convênios com governadores e, finalmente, o anúncio da liberação dos recursos, pela primeira vez este ano.
Diversas vezes, o governo falou em Ministério da Segurança Pública e, no final de 2001, apresentou uma proposta de criação da Polícia Federal Preventiva, o braço fardado da PF, com 6 mil homens, para atuar nas fronteiras, portos e aeroportos, combatendo o narcotráfico e o crime organizado.
Como comemoração dos dois anos do Plano Nacional de Segurança, na última quinta-feira, o governo assinou convênios com os Estados, anunciou a primeira liberação de recursos e chegou a pensar em desengavetar o projeto de Polícia Federal Preventiva, que acabou barrada por problemas políticos e econômicos. Das medidas anunciadas há dois anos, algumas começam a surtir efeito, como a integração entre as Polícias Civil e Militar nos Estados, com a consequente reunião dos comandos e áreas de comunicações, o reaparelhamento das corporações (carros, armas e equipamentos de telecomunicações) e treinamento de pessoal.
Muitas outras ficaram no papel como a proibição do uso de aparelhos celulares e rádios comunicadores nos presídios. Outras estão em andamento, como a instalação de bloqueadores de celulares ao redor das cadeias. O presidente aprovou um parecer da Advocacia-Geral da União, com força de decreto, explicitando o poder de polícia para as Forças Armadas. Encaminhou ainda uma medida provisória que permite a transferência de policiais de um Estado para o outro, em caso de greve, para ocupar o lugar dos rebeldes.


