Brasília, 10 (AE) - O presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácias (Abrafarma), Aparecido Camargo
provavelmente foi, até agora, um dos principais depoentes da CPI dos Medicamentos. Não por ter dado informações valiosas, mas por admitir que há no Brasil farmácias que enganam os consumidores.
Segundo Camargo, vários estabelecimentos utilizam o sistema de venda dos medicamentos "B.O.", sigla que significa, segundo o próprio presidente da Abrafarma, "bom para otário". São remédios que os balconistas das farmácias e drogarias "empurram", segundo Camargo, a consumidores que não tiveram acesso a orientação médica.
Apesar de ter causado espanto entre os deputados, a declaração do presidente da Abrafarma não teve grande efeito. Segundo Camargo, quem utiliza essa prática são geralmente pequenas farmácias e nenhuma das 36 redes de drogarias associadas à entidade.
Nem mesmo a relação das "porcarias" existentes no mercado, conforme apontou o presidente da Abrafarma, foi apresentada aos integrantes da CPI dos Medicamentos. E provavelmente isso não deve ocorrer na próxima quarta-feira, quando Camargo volta a depor, agora para explicar como seu nome apareceu em uma relação encontrada em um laboratório clandestino em Uberlândia (MG).

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