Câmaras técnicas vão discutir aumentos de equipamentos e materiais médicos
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 22 (AE) - Os fornecedores de equipamentos e materiais médicos deixaram hoje a reunião com técnicos do Ministério da Saúde anunciando aumentos que podem chegar a 36% (no caso de produtos 100% importados), mas já admitem reduzir suas margens de lucro. Os empresários e o ministério criarão câmaras técnicas para avaliar o impacto da desvalorização do real e a solução mais indicada para cada um dos setores envolvidos. Até que se obtenha o resultado da avaliação, o governo promete acompanhar qualquer reajuste e denunciar abusos à Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Fazenda.
"Essas câmaras vão diagnosticar cada setor, ver o porcentual de participação de componentes importados no produto final", disse o assessor econômico do ministério, Gerado Biasoto. Os trabalhos podem começar ainda esta semana e os resultados devem sair em 30 dias.
Serão criadas câmaras para os setores de imagem, diagnóstico (kits de análise clínica), material de consumo (como as seringas, luvas descartáveis e bolsas para coleta de sangue), material odontológico, equipamentos, medicina nuclear, órtese e prótese, diálise e para o setor de marcapasso. Participam da câmaras representantes do governo, dos fabricantes, dos hospitais e das seguradoras de saúde.
Na tentativa de reduzir os efeitos da desvalorização do real o governo estuda mecanismos como a isenção de Imposto de Importação. O governo aposta, ainda, que os fornecedores, por enquanto, não encontrarão muita chance de reajustar seus preços para o Sistema Único de Saúde (SUS) ou mesmo entre os hospitais privados. "Os hospitais do SUS e os planos de saúde privados estão rejeitando aumentos", disse Biasoto. Para ele, os reajustes só vão ocorrer mesmo se forem necessários e após consenso obtido nas câmaras setoriais.
Até lá o governo vai manter vigilância sobre os preços, não sendo admitidos aumentos abusivos ou desabastecimento. "Em caso de faltar produtos poderemos entrar com medida preventiva na SDE", avisou o assessor econômico. O diretor da associação de fornecedores de equipamentos e materiais médicos-hospitalares
Ronaldo Pitta, disse que o setor concorda em não recompor margens de lucro e só aplicar a recomposição da perda do Real sobre o custo dos componentes importados.


