Brasília, 04 (AE) - A trégua proporcionada pelo feriado da Semana Santa não foi suficiente para superar o impasse na disputa pela relatoria da proposta de emenda constitucional que reforma o Poder Judiciário. Tanto o PFL quanto o PSDB não abrem mão de indicar o relator, mantendo a tensão entre os partidos da coalizão governista. Os líderes tucanos na Câmara devem se reunir no início da semana com representantes do PMDB para tentar um acordo que evite a disputa pela presidência da Comissão Especial constituída para discutir a reforma do Judiciário.
Na semana passada, PFL e PMDB negociaram a indicação da deputada Nair Xavier Lobo (PMDB-GO) para presidente da Comissão e do deputado Jairo Carneiro (PFL-BA) para relator. Carneiro foi vetado pelo PSDB por pertencer ao grupo político do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Os tucanos alegam que essa indicação concentraria muito poder nas mãos do presidente do Senado, impedindo uma discussão mais ampla da reforma. "É obvio que, com a indicação do deputado Jairo Carneiro, a interferência do senador Antônio Carlos no processo será imensa", afirma o deputado Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA), adversário político do presidente do Senado na política da Bahia, que defende para a relatoria o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
"Não vejo razão para vetar o Jairo Carneiro", afirmou hoje à Agência Estado o senador Antônio Carlos, negando qualquer participação sua na indicação do correligionário e afirmando que se recusa a usar seu prestígio político para evitar o confronto. "Não botei nem vou tirá-lo (da relatoria)", sustentou. "Eu não interfiro na Câmara", justificou o senador, que é o autor do requerimento para a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deverá ser instalada até o final desta semana para investigar denúncias de irregularidades no Poder Judiciário.
Entretanto, aliados políticos do presidente do Senado já ameaçaram esvaziar a Comissão caso o nome de Jairo Carneiro seja vetado. Na tentativa de contornar a situação, Carneiro aceitou trabalhar em conjunto com quatro sub-relatores, inclusive um indicado pelo PT. A proposta não foi suficiente para contentar os tucanos, que acreditam na vitória caso haja uma disputa pela presidência da Comissão. O PMDB e o PFL, que têm, juntos, 13 representantes na Comissão, não possuem votos suficientes para eleger o presidente.
"Se tiver disputa, a gente ganha", aposta Jutahy Júnior. Os tucanos têm o apoio dos partidos de oposição e negociam com o PPB, o PTB e o Bloco de pequenos partidos liderado pelo PL. Na próxima quarta-feira, a Comissão se reúne para novamente tentar eleger o presidente, a quem caberá a indicação do relator.

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