Até o início da noite de ontem os deputados ainda não haviam fechado um acordo para a votação do projeto de gratificação para os professores universitários federais, em greve há três meses. Apoiado pelos partidos de oposição, o comando nacional de greve continuava exigindo a retirada do artigo que vincula o valor da gratificação ao resultado da avaliação do desempenho do professor.
O relator do texto, deputado José Jorge (PFL-PE), tentava negociar com o Ministério da Educação. Mesmo sem acordo, o que dispensaria o apoio da oposição, os líderes do governo ainda dependiam da presença dos governistas para garantir quórum para aprovação do projeto.
‘‘Poderíamos chegar a uma proposta intermediária, colocando no texto a vinculação da gratificação à produtividade, mas deixando os critérios para serem definidos depois’’, defendeu o relator, depois de reunir-se com o comando e deputados dos partidos de oposição. ‘‘Eu ouvi posições e agora vou falar com o ministro’’, explicou.
O projeto de lei do Ministério da Educação concede gratificações de 21% a 48%, variando conforme a titulação do professor (mestrado ou doutorado), regime de trabalho e resultado da avaliação do professor, que pode ganhar pontos dando aulas ou em função de pesquisas e trabalhos publicados. Os docentes rejeitam a vinculação por considerar que ela tende a privilegiar a atuação em sala de aula, com prejuízos à pesquisa e à extensão.
A Agência Folha apurou, no entanto, que o governo cedeu em pelo menos um ponto. O MEC mantém a avaliação no projeto, mas aumenta o valor da gratificação em 10%. Pelo projeto original, ainda sem a modificação proposta, as gratificações variavam de 21% a 48%.
Com essa mudança, o governo estava tentando um acordo ainda na noite de ontem. Se não conseguisse, a idéia era levar o projeto a plenário ainda ontem tentar ganhar com os votos dos deputados governistas. O governo precisaria de maioria simples para aprovar o projeto. É necessário o quórum mínimo de 257 deputados em plenário. Para vencer, o governo precisa de metade desses votos mais um. Os deputados oposicionistas, não conhecendo a proposta de aumento no valor das gratificações, prometiam obstruir a votação.

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