Câmara tem troca-troca recorde de partidos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 12 (AE) - Uma média recorde de dois deputados por dia trocou de partido na Câmara, em menos de 15 dias do início dessa legislatura. No mesmo período da legislatura anterior, houve apenas três trocas de cadeira, contra 43 computadas até hoje, de acordo com a secretaria-geral da Mesa Diretora.
Em 12 de fevereiro de 1995, apenas três deputados se animaram com as ofertas das outras legendas: Vicente Cascione (SP), do PL para o PTB; José Gomes da Rocha (GO), do PRN para o PSD, e Francisco Rodrigues (RR), do PTB para o PSD.
Dos três, apenas o último foi reeleito. Até hoje, 44 deputados trocaram de partido, mas o levantamento final fechou em 43. O deputado carioca João Mendes, que um dia depois da posse saiu pela manhã do partido pelo qual se elegeu, o PMDB, rumou para o PPB e, à tarde, voltou a ser peemedebista. Mendes foi procurado pela reportagem, mas a assessoria dele informou que o deputado não queria falar sobre o assunto.
Do lado de quem acolheu o filho pródigo, a volta foi bem-vinda - apesar do motivo também não ter sido revelado. "Ele quis voltar, tudo bem, e há lugar para quem quiser vir", disse o líder do PMDB na Cãmara, Geddel Vieira Lima (BA), no dia do vai-e-vem de Mendes. O PMDB tem agora a terceira maior bancada, com 94 deputados. A liderança continua nas mãos do PFL e do PSDB
primeiro e segundo lugares.
A acolhida é invariavelmente boa aos deputados infiéis aos partidos que o elegeram - sem julgar a qualidade do parlamentar, as bancadas que recebem os infiéis engordam e ganham peso político. O deputado Airton Roveda (PR) migrou do PDT para o PFL no dia da posse e provocou a ira do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. O líder gaúcho enviou um requerimento ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pedindo a renúncia de Roveda.
O PDT apresentou uma carta na qual há um documento, com assinatura reconhecida de Roveda, de que este renunciaria ao mandato em favor do suplente pedetista, se trocasse de partido depois de eleito. O requerimento de Brizola foi arquivado, uma vez que não há nenhum artigo no regimento da Casa obrigando a fidelidade partidária. Esse é um tema para discussão do Congresso, onde caminha a passos largos a reforma política.
O PFL comemorou, numa frase dúbia do líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). "Quando os partidos são pequenos, qualquer perda é muito grande", ironizou. Se a perda para o PDT foi grande e, para o PFL, com a maior bancada na Casa
não fez muita diferença, quando a troca é entre os partidos nanicos, há o risco de que a legenda perca até o único representante. O Prona acabou a história do troca-troca de partido do único parlamentar eleito com sorte.
O parlamentar eleito pela sigla, De Velasco (SP), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), trocou o partido por outro pequeno, o PST, com cinco membros na Casa, no dia da posse. No dia seguinte, o deputado Tadeu Fillipeli (PMDB-DF) assumiu uma secretaria do Distrito Federal e deu lugar ao primeiro suplente da coligação, Pastor Jorge (Prona).
Há piadas pelos corredores da Câmara que dizem ser mais fácil acertar a cotação do dólar do que o tamanho das bancadas a cada dia. Hoje, as bancadas flutuantes da Câmara fecharam com a seguinte composição: 110 deputados no PFL; 95 no PSDB; 94 no PMDB; 60 no PT; 56 no PPB; 27 no PTB; 27 no PDT; 22 no bloco PSB e PCdoB; 19 no bloco PL, PST, PMN, PSD e PSL; 3 no PPS; 1 no PV; 1 no Prona, e 1 no PTN.


