Brasília, 24 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), anunciou hoje a instalação, às 15h de terça-feira, da comissão da reforma do Judiciário, parada desde 1996. Temer pretende transformar a solenidade de instalação da reforma do Judiciário num ato político semelhante ao realizado esta semana, quando vários segmentos sociais, empresários, governadores e ministros acompanharam a instalação da reforma tributária, conduzida por ele próprio. A idéia de trazer a reforma do Judiciário para a pauta da Câmara, dividindo os holofotes com a CPI do Judiciário que será proposta amanhã (25) pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ganhou força na semana passada, num almoço da cúpula do PMDB, na casa de Michel Temer.
O apoio do PSDB foi garantido em seguida, depois de uma conversa com o líder tucano Aécio Neves (MG) e, na terça-feira à noite, Temer acertou com o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), a instalação da comissão às vésperas do feriado de Semana Santa quando normalmente a Câmara se esvazia. Além de evitar um recesso branco imposto pelos próprios deputados, o presidente da Câmara poderá lucrar novos dividendos políticos com um discurso enfático em defesa da reforma do Judiciário, e com o apoio de outros partidos que condenam a CPI de Antônio Carlos Magalhães.
A estratégia de Michel Temer, respaldado pelo PMDB, é chamar a atenção para sua atuação no comando da Câmara e impedir que o Senado leve sozinho os frutos políticos dos acertos do Congresso. "Estamos dizendo que também a Câmara tem presidente", confidenciou um peemedebista. O partido, que considera sua a bandeira da reforma tributária, não acredita que a retomada dos trabalhos da reforma do Judiciário possa esvaziar a outra comissão. "Quanto mais trabalho houver no Parlamento, melhor", defendeu o líder Geddel Lima, que reivindicou para seu partido o direito de continuar com a presidência da comissão da reforma tributária, ocupada pelo ex-deputado Wagner Rossi (PMDB-SP) na Legislatura passada. A relatoria esteve nas mãos do PFL até então, mas o PSDB já pleiteou o cargo.
O líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), deixou claro que não vai deixar o PMDB lucrar sozinho. "Não há disposição do PSDB contra a CPI do Judiciário, mas uma disposição enorme de fazer a reforma do Judiciário", disse ele. "Estamos com um trabalho pronto sobre a reforma, com a participação de vários partidos e setores da sociedade, e o PFL não vai abrir mão do cargo tão facilmente", rebateu o atual relator da reforma, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA).

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