Câmara rejeita proposta de criação de CPI
São Paulo, 23 (AE) - Por 29 votos contra e 24 a favor, a Câmara Municipal de São Paulo rejeitou hoje à tarde a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o esquema de cobrança de propinas nas administrações regionais. O vereador Hanna Garib (PPB), que está sendo acusado de comandar parte do esquema, não compareceu à sessão.
Na pauta havia dois pedidos de instalação de CPI em discussão. O projeto rejeitado era do vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT). O outro é do vereador Brasil Vita (PPB), que exclui os parlamentares de eventual investigação. A bancada da situação também pretendia incluir a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina (PT) para dificultar eventuais apurações. A proposta nem chegou a ser votada.
Vaias - O vereador Brasil Vita (PPB), líder do governo na Câmara, contrário à aprovação da CPI, foi o mais vaiado pelas pessoas que lotaram as galerias da casa hoje. Num trecho de seu discurso, Vita mostrou cópias de alguns jornais que denunciaram corrupção dos camelôs no governo de Luiza Erundina. Quando o vereador disse que o ambulante Afonso José da Silva, baleado no fim de semana, participou da campanha da candidata Marta Suplicy
Vita teve de ouvir, além das vaias, os gritos de "fora, fora" e "CPI já". O vereador respondeu ironicamente, dizendo que "ficaria surpreso se recebesse palmas da sociedade civil".
"O Brasil Vita está há quase 40 anos na Câmara e não fez nada pela população", disse a professora Ivone Fatibenego. Favorável à aprovação da CPI, Ivone acredita que a polícia, o Ministério Público e a CPI são os três caminhos para pôr um fim àa corrupção.
O representante dos ambulantes da Avenida Paulista, Marco Antônio Maldonado, pensa como ela. "Só uma CPI tem condições de cassar um vereador, caso ele esteja envolvido com essa máfia." Maldonado encontrou dificuldades para levar ambulantes à Câmara para pressionar os vereadores. "Eles estão sendo intimidados e até filmados e temem ser alvo de novos atentados."
Wagner Sugamelli, do Movimento de Revalorização do Cambuci, foi impedido de entrar nas galerias. Segundo o sargento da Polícia Militar Levy Miguel, a proibição foi pedida pelo presidente da Câmara, Armando Mellão (PPB). Na sessão passada, Sugamelli ficou nas galerias fantasiado de Irmão Metralha. Antes
em frente do prédio da Câmara, ele promoveu uma pescaria. "Até agora só pegaram peixes pequenos", disse. "Precisamos apanhar os peixes grandes que se encontram na Câmara."





