Brasília, 11 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pretende levar o pedido de cassação do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC) para votação no plenário da Casa dentro de 10 dias. Um acordo que começou a ser costurado hoje na Câmara prevê a cassação após as cinco sessões regimentais da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para a apresentação da defesa de Pascoal, que seriam realizadas nos próximos neste prazo.
Michel Temer acredita que há elementos suficientes para a abertura do processo de cassação do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), acusado por várias testemunhas de comandar o tráfico de drogas e o esquadrão da morte no Estado. Segundo Temer, "tudo indica" que as provas são suficientes para cassar o deputado. A Mesa da Câmara deve aprovar amanhã (12), às 10h30, o parecer do corregedor-Geral, Severino Cavalcanti (PPB-PE), que decidiu pela cassação de Pascoal. A reunião seria realizada hoje mas foi adiada, devido às votações.
Temer pediu ao deputado Inaldo Leitão (PMDB-PB) que apresente também seu parecer amanhã (12), com a decisão da Mesa da Câmara. Inaldo é relator do pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para processar o deputado do Acre, mas o acordo prevê a juntada de todos os documentos existentes sobre Pascoal, que serão enviados à CCJ. Inaldo Leitão afirmou que o acordo possibilitaria cassar Pascoal até a próxima quinta-feira, caso a Mesa da Câmara não tivesse adiado a reunião.
"Vamos fazer o possível para fazer justiça", disse Michel Temer, logo depois de sair de uma reunião da Mesa, na manhã de hoje, que foi suspensa para votações no plenário. Cavalcanti antecipou seu voto, dizendo que Pascoal seria cassado por ter afirmado que deu bilhetes com salvo-conduto para traficantes e contrabandistas no Acre.
Cavalcanti afirmou que Pascoal fez afirmações "gravíssimas" ao dizer que todos os parlamentares são iguais a ele e sugerir que se utilizariam de artifícios ilegais para se eleger. "Nunca vi nenhum parlamentar dar bilhetes para proteger traficantes", disse Cavalcanti.
Mais grave ainda, disse o corregedor-Geral, é que Pascoal afirmou no mesmo depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que "faria tudo de novo".
Parlamentares da CPI do Narcotráfico estavam negociando hoje à noite um acordo com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, e o secretário dos Direitos Humanos, José Gregori. O acordo prevê a libertação do traficante Waltemir Gonçalves de Oliveira, o Palito, com base na Lei de Proteção de Testemunhas, em troca de uma fita de vídeo que ele diz possuir, onde o deputado Hildebrando Pascoal apareceria matando Agilson Firmino, o "Baiano". Se a fita for verídica, a CPI do Narcotráfico vai pedir a prisão de Pascoal.
Os parlamentares da CPI do Narcotráfico foram hoje à Mesa entregar as cópias de todos os depoimentos de testemunhas que confirmam a ligação de Pascoal com o tráfico e o esquadrão da morte. O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE) disse que os parlamentares da CPI irão ao Acre este mês, acompanhar as investigações da Polícia Federal.
O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PPB-ES), mostrou-se indignado com o procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro, que possui farta documentação sobre os crimes de Pascoal. "A Nação não entende tanta denúncia sem resposta", disse Magno Malta. "Vamos ouvi-lo na CPI para saber por que ele nunca se manifestou."
Pascoal disse hoje que tem sido vítima de uma "armação". O deputado vai depor amanhã (12) na CPI do Narcotráfico. Pascoal prometeu trazer testemunhas que provariam sua inocência.

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