Câmara não vota ''casamento gay''
O ajuste fiscal tirou o projeto de parceira civil entre pessoas do mesmo sexo da pauta de ontem da convocação extraordinária da Câmara. Deputados católicos e evangélicos ameaçavam boicotar a votação do ajuste se o projeto fosse mantido. Avisei que se fosse colocado o casamento gay, que é uma indecência, eu inviabilizaria a votação do ajuste fiscal, disse o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), representante dos católicos no Congresso.
Usaram a minoria como moeda para votação da contribuição dos inativos, denunciou a autora do projeto, deputada Marta Suplicy (PT-SP), que passou a manhã acompanhada por representantes de cinco entidades gays, entre elas a Associação Brasileira de Gay, Lésbicas e Travestis (ABGLT). Eles carregavam a bandeira com as cores do arco-íris, símbolo do movimento, e faixas com frases como Gays pedem justiça.
O substitutivo ao projeto de Marta, aprovado por uma comissão especial, foi colocado novamente em pauta por decisão dos presidentes do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). A proposta prevê que duas pessoas do mesmo sexo possam registrar sua parceria civil para garantir direitos previdenciários, à herança e também a seguros de saúde. Juntos podem ainda comprar imóveis e fazer declaração de Imposto de Renda, mas não é permitido que adotem criança mesmo sendo filha de um deles.
A volta do projeto para apreciação na Câmara - já havia entrado na pauta antes das eleições, mas retirado pela própria autora - ocorreu em um momento inoportuno por causa da crise econômica, reconheceu o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). Essa foi a avaliação de outros líderes. Segundo Marta Suplicy, a parceria civil entre homossexuais será votada na próxima terça-feira.José Paulo Lacerda/AEAdiamentoA deputada Marta Suplicy e representantes de movimentos gays, em manifestação no Salão Verde da CâmaraAgência Estado





