Por 10 votos a 4, a Câmara de Vereadores de Londrina derrubou ontem o projeto de lei que revogava a doação de um terreno de 360 mil metros quadrados à GNB Indústria de Baterias, no distrito de São Luiz, Zona Norte de Londrina. Nem os protestos de uma centena de moradores contra a instalação da empresa na área rural influenciaram a decisão do Legislativo.
Desde o final do ano passado a presença da fábrica vem gerando polêmica no distrito, já que parte dos moradores teme prejuízos ambientais causados pelo chumbo. Na semana passada, cerca de 150 pessoas favoráveis ao empreendimento - alegando que irá gerar empregos - haviam lotado as galerias da Câmara e protestado contra a decisão do vereador Marcelo Belinati (PP), autor do projeto de revogação, de retirá-lo de pauta.
Ontem, a matéria foi reprovada na segunda e última discussão. Antes da votação, a gestora ambiental da indústria, Liane Lima, reafirmou que todo o projeto de expansão da empresa foi dimensionado conforme as diretrizes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''Temos relacionados todos os equipamentos que são utilizados na fábrica para a prevenção de qualquer tipo de poluição, entre elas, o próprio chumbo. Não há riscos de poluição'', enfatizou.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, disse que até agora a fábrica possui apenas uma das três documentações necessárias para seu funcionamento, mas que vem ''cumprindo a legislação''. Afirmou ainda que vê a ampliação da indústria como algo ''positivo para a cidade, pois irá gerar muitos empregos''.
Representando a população de São Luiz, o morador José Delmonaco Neto, o Zezão, afirmou que 80% dos moradores do distrito são contra a instalação da GNB. ''Antes de doar o terreno, o prefeito deveria ter consultado a população. O clima é de guerra em São Luiz. O que será de São Luiz amanhã?'', questionou Zezão, afirmando ''não ter nada contra a indústria''. ''Eles que arrumem outro lugar.''
Os moradores contrários à fábrica apostam suas fichas agora em uma ação popular protocolada ontem mesmo na 1 Vara Cível. O advogado Hwidger Lourenço Ferreira explicou que a ação contesta a modalidade de doação de terrenos pela prefeitura, uma vez que a Lei Orgânica prevê apenas a permissão, concessão e autorização de uso. ''O Tribunal de Contas também não recomenda a doação. Além disso, a empresa não cumpriu a exigência de construir dentro de seis meses após adquirir o terreno - a lei de doação é de dezembro de 2006'', salientou. (Colaborou Vanessa Navarro)

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