Câmara livra Pitta e rejeita prorrogação de CPI dos Fiscais
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 20 (AE) -Os vereadores que apóiam o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), na Câmara Municipal rejeitaram hoje o requerimento que daria início ao processo de impeachment e rejeitaram o pedido de prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais por mais 90 dias. Foi a mais expressiva vitória do governo municipal no Legislativo desde o início da gestão.
Na prática, os parlamentares paulistanos que dão sustentação política ao Executivo impediram que as acusações de irregularidades supostamente cometidas por Pitta sejam investigadas e que as denúncias contra vereadores continuem a ser apuradas pela CPI dos Fiscais. Ela acabará dia 12.
A prorrogação da comissão foi rejeitada por 30 votos contra e 20 a favor. A admissão do processo de impeachment foi arquivada. Os governistas conseguiram 30 votos e a oposição, 19. A articulação para evitar o início do processo de impeachment começou um dia depois de a Comissão Especial da Câmara ter decidido transformar em acusação as denúncias apresentadas pelo PT contra Pitta.
Pitta foi acusado de não investir o porcentual determinado por lei no desenvolvimento do ensino fundamental, de responsabilidade na emissão irregular de títulos públicos para o pagamento de precatórios - pagamento de dívidas determinado pela Justiça - e supostos superfaturamentos que teriam ocorrido em módulos do Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
Sigilo - O acordo para que os governistas evitassem em bloco o início do processo de impeachment e a prorrogação da CPI dos Fiscais por mais 90 dias foi fechado ontem (19) à noite. Vereadores governistas reuniram-se na liderança do PPB e fecharam questão contra o impeachment e a CPI dos Fiscais, mas mantiveram a decisão em sigilo para surpreender a oposição.
A estratégia adotada foi antecipar a votação, de terça-feira para hoje. Além de atender a uma orientação expressa do Executivo, os governistas neutralizaram a estratégia do PT, que seria deflagrada hoje.
Os petistas iniciariam amanhã a transmissão, em rede nacional, de um comercial gravado pelo ator Antônio Fagundes, no qual ele alertaria a população para o dia da votação e a importância do tema a ser discutido. O Palácio das Indústrias foi mais ágil, conquistou os votos necessários para votar o requerimento propondo a admissibilidade do processo de impeachment e arquivar as denúncias.


