Câmara livra Izar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Flávio Mello e Gabriela Carelli 
São Paulo, 01 (AE) - A Câmara Municipal de São Paulo inocentou hoje o vereador José Izar (PFL), rejeitando as acusações aprovadas na Comissão Processante e na CPI dos Fiscais. A votação foi feita depois de um discurso emocionado do vereador. Os poucos governistas que comentaram o resultado atribuíram a mudança ao fato de o presidente do Diretório Municipal do PT, vereador Vicente Cândido, ter distribuído um jornal com ataques à base governista. Os vereadores da oposição disseram que essa desculpa foi "armada", tanto que o jornal foi distribuído em julho e só apareceu pouco antes da votação.
Izar foi processado e julgado com base nas duas acusações iniciais, aprovadas na comissão processante: obter vantagens no esquema de arrecadação de propinas na Administração Regional da Lapa e usar equipamentos e funcionários da regional em favor da campanha política de seu irmão Willians José Izar. A Mesa da Câmara admitiu a terceira acusação, que havia sido rejeitada pela comissão - tentativa de intimidação de testemunhas durante a CPI dos Fiscais.
No fim da sessão, as três acusações foram rejeitadas. Os resultados foram: 33 votos a favor, 10 contra, 6 em branco e 3 nulos na primeira acusação; 35 a favor, 10 contra, 4 em branco e 3 nulos na segunda; e 31 a favor, 12 contra, 2 nulos e 7 em branco, na terceira e última.
Votaram 52 vereadores e não 53 como na sessão de ontem (31), quando foi cassado o mandato de Maeli Vergniano. Além de José Eduardo Martins Cardozo (PT), o autor da denúncia, e de Izar, o acusado, o suplente Carmino Pepe (PL) ainda não havia assumido a vaga de Maeli.
O resultado reacendeu o embate entre oposição e situação. "Esse ataque gratuito do PT mostrou que a motivação das acusações é política, portanto acredito que isso mudou a convicção de muitos governistas já dispostos a punir o José Izar", disse Bruno Feder (PTB).
"Foi uma desculpa armada para não ter de assumir a disposição de ignorar as provas e inocentar o vereador, tanto que o jornal foi distribuído em julho e, misteriosamente, apareceu somente minutos antes da votação", rebateu Cardozo.
Impasse - Iniciada a sessão, o advogado de Izar, Hermes Mulan, denunciou na tribuna o "desaparecimento" de dois documentos entregues à comissão processante por seu cliente. Eram duas procurações, nas quais nomeava Mulan e Pascoal Muziato como seus representantes legais. Sessão suspensa. Depois de rápida reunião, Mulan alegou cerceamento de defesa porque um dos advogados acabou não sendo nomeado e pediu o adiamento da sessão.
Discurso - O pedido foi negado pelo presidente da Câmara
Armando Mellão (PMDB), alegando improcedência da queixa. O discurso de Izar acabou sobrepondo-se à defesa técnica. O vereador dirigiu-se aos companheiros. Fez um discurso cheio de emoção e com recado que, segundo alguns vereadores, era uma ameaça velada. "Se cassado for, vou ajudar um a um dos senhores vereadores dividindo todos os meus votos", prometeu. "Porque eu não sou traidor, não vou trair ninguém."
O discurso manteve os vereadores atentos e teve efeito imediato. Toninho Paiva (PFL) deu um abraço em Izar, gesto repetido por Faria Lima (PMDB), Dito Salim (PPB) e Gílson Barreto (PSDB). Izar deixou a copa dos vereadores, jogou beijos para os garotos que torceram por ele da galeria da Câmara. Mas saiu sob gritos vindos da galeria: "Ladrão, ladrão."


