Câmara julga amanhã pedido de cassação da veredora Maria Helena
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 24 (AE) - A Câmara Municipal de São Paulo pode determinar amanhã (25) o afastamento de mais um parlamentar por suspeita de corrupção. A vereadora Maria Helena (suspensa do PL) será julgada em plenário pela acusação de quebra de decoro parlamentar. Para que a vereadora seja cassada são necessários 37 votos dos 55 parlamentares. Maria Helena é a terceira parlamentar julgada pelos colegas desde o início das investigações da máfia dos fiscais, no ano passado. Maeli Vergniano e Vicente Viscome foram cassados no ano passado.
A sessão extraordinária terá início às 12 horas e será dividida em três partes. Na primeira, será lido o relatório da comissão processante, que propõe a cassação da parlamentar. Ela é acusada de reter parte dos salários de funcionários de seu gabinete e ter participado de uma tentativa de extorsão de dinheiro contra o vereador Salim Curiati Júnior (PPB). Em seguida, os vereadores terão duas horas para manifestar-se na tribuna. Na etapa seguinte, será concedida duas horas para o pronunciamento da defesa, antes do processo de votação. A votação é secreta. Pitta - Hoje, o clima na Câmara era de dúvida se Maria Helena será cassada ou não. Parlamentares ouvidos pela reportagem não quiseram arriscar o resultado da votação. O único consenso é que a vereadora foi privilegiada pelo fato de todas as atenções estarem voltadas para a comissão processante que analisa as denúncias contra o prefeito Celso Pitta.
"O foco saiu dela", disse o vereador Toninho Paiva (PFL). Isso não significa, porém, uma posição favorável dos colegas na hora do voto. Na avaliação dos parlamentares, a Câmara ainda não recuperou a imagem negativa adquirida após a absolvição do vereador José Izar (PST), que também sofreu um processo de cassação, mas se manteve no cargo. "Ninguém quer passar o vexame novamente", disse um experiente parlamentar. "A mídia não vai perdoar", completou.
Outro vereador lembrou que, durante todo o processo, Maria Helena adotou a tática do silêncio, apesar de ter pedido aos colegas que avaliem a questão antes de depositar seu voto na urna. "Muitos têm medo de que ela resolva falar de irregularidades envolvendo vereadores, caso seja cassada", alertou um vereador. "Só vamos saber o que vai acontecer na hora da votação", disse Dalton Silvano (PSDB). Opinião semelhante tem o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo (PT). "Os vereadores novamente voltam a ser alvo do questionamento da população", disse Cardozo, que não quis revelar seu voto, temendo um prejulgamento. A tendência dos vereadores da oposição é votar favoravelmente à cassação do mandato da vereadora.


