Câmara já tem 52 trocas de partidos na nova legislatura
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 24 (AE) - A Câmara teve, em menos de um mês de legislatura, 52 casos de infidelidade partidária, mais da metade do total de mudanças de legendas durante todo o primeiro ano do mandato anterior, com 98 trocas, mesmo não contando na proporcionalidade para a definição das presidências das 16 comissões da Casa.
Mesmo não tendo importância para as comissões, engordam as bancadas nas medições dos pesos políticos na hora do voto em plenário.
A Secretaria da Mesa Diretora, que tem gastado papel duas vezes por dia para imprimir cópias das mudanças partidárias
tem dados demostrando terem sido os partidos nanicos os que mais perderam deputados no primeiro ano da legislatura passada, com 22 saídas. Partidos como PP, PRN, PMN e PSC perderam os parlamentares principalmente para o PMDB. O PMDB, contudo, ficou em segundo lugar na perda de deputados, com 12 das 98 saídas de 1995. O primeiro lugar coube ao PPB, com 14 exemplos de infidelidade partidária.
Ao contrário de 1995, são os grandes partidos os que mais têm contabilizado infidelidades. Nesses 25 dias da nova legislatura, novamente o PPB foi o partido que perdeu mais deputados, com dez saídas. Depois, vêm o partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, com sete perdas. O PMDB foi o que mais lucrou, com 20 dos 52 infiéis, até hoje, indo para o partido do governador de Minas Gerais, Itamar Franco.
O líder do PPB, Odelmo Leão (MG), considera as saídas do partido lamentáveis. "Significou que o canto da sereia está mais interessante em outros lados", disse. "Mas temos deputados de qualidade", contentou-se. Segundo ele, o partido não tem nenhuma estratégia para investigar as razões das saídas ou tentativa de reconciliação com os infiéis.
Amanhã (25), as lideranças partidárias na Casa reúnem-se com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para negociar as escolhas nas presidências das 16 comissões. Vai valer o critério do tamanho das bancadas até as 19 horas de 21 de fevereiro.
Nesse critério, o PFL, com 110 deputados, vai ficar com três comissões, assim como o PMDB, que estava com 99 deputados naquela data, e o PSDB, com 95 deputados na data. O PT, que somou 59 parlamentares naquele dia, terá direito à presidência de duas comissões, assim como o PPB, que tinha 55 deputados. O PTB, que tinha 25 deputados, e o PDT, que estava com 24 deputados, ficam cada com uma comissão.
Quem não tinha nenhuma comissão na legislatura anterior é o novo bloco PSB-PC do B. "Formamos o bloco com a intenção política de ter mais força: já ficamos com uma segunda secretaria na Mesa e, agora, com a comissão", disse o líder do PSB na Câmara, Pedro Valadares (SE). O acordo foi para o PC do B ficar com a presidência da comissão, que, na intenção do bloco, é que seja a de Direitos Humanos ou a de Trabalho.
O PFL manifestou pelo menos a intenção de duas das três comissões que tem direito: a presidência da de Constituição e Justiça (CCJ) e a de Economia, Indústria e Comércio. O PSDB quer a de Finanças e Tributação. O PPB interessa-se pela de Agricultura e de Trabalho. O PMDB quer a de Ciência, Tecnologia e Informática. O PT namora a de Direitos Humanos.


