Câmara examina acusação a Talvane
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O destino político do deputado federal Talvane Albuquerque (PFL-AL), apontado como principal suspeito nas investigações que apuram o assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL), começa a ser decidido hoje. O ministro da Justiça, Renan Calheiros, vai entregar para o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), todos os documentos e uma fita em que o deputado Albuquerque conversa com um matador de aluguel. Com essas informações, o ministro espera fundamentar o processo de cassação do mandato do deputado alagoano.
Ontem, assessores jurídicos da Câmara afirmaram que o argumento da quebra de decoro parlamentar é o mais consistente para basear a cassação do mandato de Albuquerque, caso seja comprovada as suspeitas de que seja ele o mandante do assassinato.
A investigação da morte da deputada foi assunto durante a tarde de ontem na Câmara. O que o deputado conversa com o matador comprova que ele (Albuquerque) deve conviver com pessoas na cadeia e não no Congresso, disse o líder do PSDB na Câmara, deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG).
O corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB- PE ), sugeriu que também o deputado Augusto Farias (PFL-AL) seja investigado. Para ele, é inexplicável o fato do deputado não ter entregado a fita imediatamente após o crime.
Durante vinte minutos, ontem no plenário da Câmara, Talvane Albuquerque se disse inocente. Acusou a polícia de Alagoas de omissão, por não terem fechado as fronteiras do Estado para evitar uma possível fuga dos assassinos, e listou vários prováveis motivos para o assassinato da deputada. A falecida tinha diversos credores, um deles estava cobrando R$ 600 mil, afirmou. Albuquerque destacou que tem a lista dos nomes de todos os agiotas que ameaçavam a deputada, de quem é suplente.
Albuquerque confirmou ter conversado com Chapéu de Couro, pistoleiro envolvido no crime. Tenho de memória o conteúdo dessa ligação, que me alcançou quando eu fazia compras com meus familiares e, porque conheço seu conteúdo, é que atribuo a causa da omissão de Farias em oferecer essa prova à autoridade policial.


