Londres (AE-AP) - Em 75 palavras ou menos: por que você gostaria de estar da Câmara dos Lordes? Esta é a pergunta para os membros hereditários da Câmara dos Lordes antes da eleição que acontece no final deste ano e que selecionará os sortudos que manterão seus assentos. Para alguns, isto parece uma concurso de caixa de cereal matinal. "Eu deveria continuar a ser lorde porque...", dizia a manchete do jornal The Times. "Esta coisa toda é ridícula", diz lorde Mancrof, um nobre conservador. "Por que incluir a opinião de quem faz parte da Câmara? ".
Teorias concisas não fizeram com que lorde Mancroft ganhasse um posto entre os Lordes, a Câmara alta do Parlamento. Ele está lá porque seu avô, Arthur Michael Samuel Mancroft, recebeu título de nobreza hereditário em 1937, depois de muito tempo de serviço na Câmara dos Comuns. O primeiro-ministro Tony Blair, líder do Partido Trabalhista, está determinado a eliminar todos os 633 membros de sangue azul da Câmara dos Lordes. Não há praticamente nenhum simpatizante trabalhista entre os diversos duques, marqueses, condes, condessas, viscondes, barões e baronesas.
Os 471 membros do partido conservador da Câmara dos Lordes incluem 299 nobres hereditários e 176 do Partido Trabalhista, dos quais apenas 18 herdaram títulos. Numa eleição interna, o governo permitirá que 92 nobres, cujos títulos foram herdados, sejam eleitos por seus pares. Os candidatos não poderão imprimir pôsteres ou bombardear seus companheiros lordes com panfletos. A única coisa que podem fazer é entregar suas 75 palavras escritas até o dia 21 de outubro para serem publicadas na biblioteca dos Lordes.
Notícias sobre o limite de 75 palavras naturalmente inspiraram piadas. Giles Coren, ofereceu um modelo no The Times: "Sou proativo, tenho iniciativa e bons conhecimentos sobre administração de Estado, cavalaria, confusões, dribles e em beber vinho tinto...experiência no intrincado sistema de impostos, especialmente no que diz respeito aos relacionados a heranças e conhecimento de vendedor no mercado de artes".
Para o conde Ferrers, 13º de uma linhagem que começou em 1711
até mesmo 75 palavras é muito. "As pessoas deveriam conhecer os nobres pelo que eles pensam, sem que tenham que de angariar os votos dos seus colegas e mostrar quão eminentemente elegíveis eles são", disse.
Na verdade, alguns dos nobres são excessivamente reticentes. A coluna diária o jornal The Guardian vem destacando alguns dos 168 lordes que já falaram na Câmara. A lista inclui o duque de Leinster, silencioso por 27 anos, o conde de Normanton, que está no local há 32 anos e dois nobres que chegaram ao local 45 anos atrás, o conde de Coventry e o marquês de Abergavenny. Lorde Onslow, o sétimo de uma linhagem que começou em 1801, aceitou o limite de 75 palavras como um desafio. "É muito bom ser lembrado pela brevidade", afirmou.

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